sexta-feira, fevereiro 12, 2016

Entrevista: DRACONIAN - O Império da Escuridão

O sexto álbum da banda sueca Draconian traz um marco para a discografia do sexteto. Sovran, como foi chamado, traz todos os aspectos de uma nova fase musical que a banda decidiu percorrer. A mudança de line-up com a saída da cantora Lisa Johansson e a entrada da sul-africana Heike Langhans forçou a banda a se renovar e até assumir um novo estilo musical, o Dark Metal. Conversamos com o vocalista, letrista e poeta Anders Jacobsson para entendermos mais sobre esta nova fase da banda e nos aprofundarmos mais na escuridão de Sovran.


por Marcos Franke

Primeiramente, o que significa “Sovran”, título do álbum novo do Draconian?

Anders Jacobsson – Significa “rei” ou “majestade” e se refere ao universo que está conectado, a consciência onisciente que interliga tudo com o restante da criação. Seres em estado se onisciência e consciência de vida. Um dos meus grandes heróis, George Carlin, costumava chamar esta Uma consciência a qual reverenciamos “O Grande Electron”. Este não julga ou possui favoritos. Ela apenas existe. O epicentro do amor.

Conte-me um pouco sobre como Sovran, o novo álbum do Draconian, começou a tomar forma. Foi antes ou após Lisa deixar a banda?

Anders – Depois. Eu tenho certeza de que quaisquer novas idéias que estavam entre nós, foram parar em Sovran. Foi um processo lento, já que estávamos lidando com outra tarefa difícil, em tornar Heike uma residente na Suécia (N.R.: Heike Langhans é de origem Sul-Africana/Cidade do Cabo). Durante os quatro anos de pouca atividade da banda, todos nós fomos um pouco para outras direções. Vida, assim por dizer. Ou na procura por ela. Luta, lágrimas de felicidade e tristeza, falhas e sucessos. Em tudo isto, as músicas começaram a tomar forma. Foi uma pré-produção muito lenta e entendemos que se a gente não continuar a trabalhar em músicas continuamente, o processo pode levar a gente para a exaustão e a falta de inspiração poderá surgir. Você precisa estar no processo sempre. Lição aprendida.



Sovran pode ser considerado um marco de mudança para a discografia do Draconian?

Anders – Sovran para mim é Draconian. Obviamente coisas sofreram mutações um pouco e a banda mudou seu line-up. Coisas estão mudando, mas não temos nem indício em qual direção está indo. Eu também nem quero saber. Apenas muito grato pela resposta fantástica que o álbum está recebendo. Fãs do Draconian são provavelmente as melhores pessoas do planeta, e estou agradecido por poder conhecer algumas das pessoas mais fantásticas e lindas dele.

Conte-me um pouco como Heike Langhans foi selecionada para ser a nova vocalista do Draconian.

Anders – Diria que a maioria das idéias para as músicas já estavam compostas quando decidimos por ela. É difícil relembrar procurando mais fundo. Heike entrou em contato com o nosso guitarrista Daniel, enviando clipes e músicas de seu projeto com a banda Lorelei e sentimos que ela tinha a voz com uma maior ressonância. Muitas que se candidataram foram fantásticas mas não sentia Draconian nelas. Heike veio aqui para uma audição e ficou mais tempo com a gente. Ela foi bem destemida (risos).

Doom metal sempre é emocional e triste. Com uma cantora feminina para ajudar a reforçar isto é simplesmente de tirar o ar, principalmente com Heike cantando. Como as músicas são compostas para o Draconian?

Anders – Se Draconian é Doom Metal, ele certamente possui um alcance bem longo. Nós temos uma clara inspiração do Doom, rock gótico e metal, mas  gêneros são realmente subjetivos nestes dias e nós começamos a chamar o Draconian de Dark Metal, simples. A escuridão sempre deverá existir enquanto Draconian o fizer. As músicas são escritas por Johan (N.R.: Johan Ericson é guitarrista). Começa com uma idéia para uma música e ele a manda para mim para poder me envolver e assim me inspirar para escrever a letra ou fagulhas delas – na maioria das vezes. Mas colocando a mão em meu coração, eu sinto falta dos dias dos ensaios rotineiros da banda quando as músicas tomam forma com a gente ensaiando como banda.


Sovran possui algumas músicas muito pesadas, como Stellar Tombs, que no início me lembra músicas do Amon Amarth por exemplo. Mas quando Heike começa a cantar tudo muda e o clima da música fica mais lento. Qual a importância do vocal feminino para as músicas do Draconian?

Anders – É difícil imaginar Draconian sem uma vocalista feminina e eu não tenho certeza se quero imaginá-lo. O aspecto feminino de nosso som conecta tudo, adicionando fragilidade e inocência á escuridão. Heike possui uma voz excepcionalmente triste. Ela combina perfeitamente.

Sovran possui letras incríveis. Qual é a inspiração para as letras para o álbum?

Anders - Minha vida, minha estupidez, minha inteligência, almas de outros e vida, experiências internas profundas, um tópico, um filme... Tudo pode se transformar numa letra. Eu caminho nesta vida observando a realidade de certa maneira. Tudo possui raízes num significado profundo e o que percebo e que tudo retorna para o amor. Ele até conforta quando machuca. Até os olhos escuros da tristeza possuem fagulhas de amor. Tristeza faz parte da transcendência...

Músicas como ‘Rivers Between Us’ e ‘Pale Torture Blue’ possuem uma relação profunda de letra e música que realmente é difícil não se emocionar com elas. Como foi compor estas músicas? Alguma inspiração em especial?

Anders – Não na verdade. ‘Pale Torture Blue’ foi a primeira música que escrevemos (junto com uma outra que não foi incluída no álbum) e as letras foram meio que uma experiência de mente/pensamento. Eu percebo que letras podem ser meio que confusas, mas dá espaço para interpretação, o que aprecio e muito. ‘Rivers Between Us’ foi a última música que terminamos. Simplesmente queríamos uma música mais simples, com letras óbvias indo mais para o lado gótico. Acho que conseguimos atingir isto. Ela fez com que Daniel Änghede (N.R.: integrante da banda Hearts of Black Science e colaborador em Sovran) se tornasse um grande amigo da banda.

Draconian começará sua turnê pela Europa com o Omnium Gatherum com a turnê Towards the Unknown Vol.1. Fale-me um pouco destes shows. Serão temáticos ou apenas um show promocional para o álbum Sovran?

Anders – Nós iremos com o que sentirmos no dia. Não tenho idéias para temática que usaremos na turnê. Daremos o nosso melhor a cada show. Será a nossa primeira turnê e estamos um pouco nervosos, sendo bem honesto.


No Facebook, Draconian postou um cover para The Final Cut do Pink Floyd com Heike e Daniel Änghede from Hearts of Black Science, uma banda muito mais voltada ao synthpop e a música eletrônica. O quanto estes estilos influenciam Draconian?

Anders – É um cover muito cru e cheio de sentimento que eles fizeram. A banda principal de Daniel é o Crippled Black Phoenix e a razão que nos instogou em trabalhar com ele foi esta banda e não seui projeto industrial/eletrônico. Eu não diria que Hearts of Black Science possui, se qualquer, inspiração para o Draconian, mas acho que o Crippled Black Phoenix tem talvez Daniel como ele mesmo.

Heike também participou do novo álbum do Hearts of Black Science com a música Wolves at the Border. Como foi pra ela participar do projeto? Deve ter sido uma experiência única.

Anders – Tenho certeza de que foi, mas ali Heike e Daniel já se tornaram grandes amigos e começaram a trabalhar juntos.

Quando entrevistei Paul Kuhr, do Novembers Doom quando eles vieram ao Brasil para o Festival Overload ano passado, ele recomendou ouvir a música de vocês. Notei também que ele participou do álbum inteiro Turning Season Within (2008). Conte-me um pouco sobre como Paul fez parte do processo de gravação deste álbum. Você ainda tem contato com ele?

Anders – Nós somos amigos no Facebook mas nunca conversamos, infelizmente. Muito legal da parte dele promover o Draconian entre as pessoas. A banda dele é incrível e para mim e Johan, sua contribuição para o Turning Season Within deixou sua marca. Este álbum certamente é o meu álbum favorito do Draconian.

Muito obrigado pela entrevista e deixe uma mensagem para os fãs da banda no Brasil.

Anders – Eu sei que vocês estão esperando muito a nossa passagem pelo seu país. Nós estamos esperando também. Mas eu ouço boatos e sussurros, quem sabe nós nos veremos logo. Lembrem-se, melhor tarde do que nunca (risos). Paz, meus amigos.

quinta-feira, janeiro 28, 2016

RESENHA: Exodus - Uma Lição em Violência

Exodus se apresenta sem guitarrista Gary Holt, mas compensa o público com a grande presença de palco de Steve Zetro Souza e grande performance do baterista Tom Hunting da formação clássica da banda


A introdução para a primeira noite de violência do ano no Carioca Club ficou á cargo das paulistanas do Sinaya, que estão em estúdio para a gravação de seu primeiro álbum. A banda apenas lançou um EP chamado “Obscure Raids” em 2013. O quarteto composto apenas por garotas formado por Mylena Monaco (vocal/guitarra), Renata Petrelli (guitarra), Camila Toledo (baixo) e Aline Dutchi (bateria) tomaram a responsabilidade para elas, aquecer um público sedento por música. O Death Metal com pitadas Thrash “Old School” foi prejudicado e muito pelo mal ajuste dos equipamentos. Não sei ao certo quem poderia ser responsabilizado por isto, mas a banda saiu prejudicada e muito.
Mylena Monaco : Sinaya
Uma pena pois Mylena possui um vocal interessante e lembra muito o Death dos primórdios do Human (1991). Destaque para os duetos de guitarra de Mylena e Renata, sem tirar a grande presença de palco de Camila, que agitava e muito com o seu baixo. A banda terminou sua apresentação em meia hora, deixando espaço para a banda estadunidense se apresentar, o Exodus. A banda que lançou o bem sucedido Blood In, Blood Out (2014) há dois anos, retorna aos palcos de São Paulo num espaço curto de tempo, demonstrando ter ainda muita força para atrair público – a diversão é garantida para aqueles que curtem as rodas de mosh imensas que se formam durante as músicas. As luzes se apagam e a introdução já assinala que a noite mais uma vez será violenta com as primeiras notas de Black 13, do álbum Blood In, Blood Out (2014) emendando com Blood In Blood Out, do mesmo álbum. Já percebia-se que a ausência de Gary Holt faria diferença, mas não tiraria o brilho da apresentação do Exodus, pois trouxeram Kragen Lum (guitarrista do Heathen) no lugar dele. Um guitarrista tão bom, que fez os fãs agitarem com ele como se Gary Holt estivesse ali, em cima do palco! Agora são dois integrantes do Heathen no Exodus, já que Lee Altus também é guitarrista do Heathen. Enquanto baterista da formação clássica da banda Tom Hunting, destruía na bateria, Steve “Zetro” Souza fazia o que faz melhor, era um showman e um grande vocal. Seguindo o set com o clássico And There Were None, do álbum Bonded By Blood, a banda conseguiu formar a primeira roda da noite, justificando todos os elogios aqui aplicados á banda até agora. Jack Gibson caprichou na velocidade de seu baixo com a grandiosa Deranged do álbum Pleasures of the Flesh (1987), um dos grandes petardos do Thrash dos anos 80. Zetro diz que da última vez não tocaram nada do álbum novo e que desta vez tocariam algumas, como a Body Harvest – na minha opinião, um clássico imediato. Óbvio que o tornado Humano no centro da pista da casa de shows, não parava de rodar em nenhum minuto. Impressionante. Mas a coisa só pioraria com a introdução de Metal Command do clássico Bonded By Blood (1985) – era tênis para um lado, copos e garrafinhas de plástico voando, uma loucura.  A banda fez a loucura de emendar com Piranha, também do álbum Bonded By Blood (1985) – que mostrou de fato que Kragen Lum merecia representar Gary Holt naquele palco.
Steve Zetro Souza: Exodus
Zetro emendou com A Lesson In Violence, do clássico Bonded By Blood (1985) depois de declarar amor á São Paulo, citando que até há paulistas no staff da banda, como o tour manager e o responsável pela mesa de som. Depois Zetro anuncia uma música que raramente é tocada pela banda ao vivo, a poderosa Impaler, que pode ser encontrada no álbum Another Lesson In Violence (1996). Mas, um dos grandes destaques da noite, no entanto, ficou para o clássico instantâneo Blacklist, do álbum Tempo of the Damned (2004). Mas a banda ainda não estava satisfeita e emendou com Bonded By Blood do álbum homônimo – mas a noite ainda não tinha acabado para este quinteto americano. The Toxic Waltz, do álbum Fabulous Disaster (1989) foi anunciada por Zetro com mais dedicatórias de amor á São Paulo, dizendo que ama mostrar para amigos as grandes rodas que costumam ser feitos em seus shows na terra da garoa. O público reagiu com uma das maiores rodas, de dar orgulho á thrashers/moshers ao redor do Mundo. Após retirar feridos era a vez da despedida com Strike of the Beast do Bonded By Blood (1985) terminando assim mais uma lição em violência. Se todos os shows forem ao menos tão bons quanto o Exodus este ano, não teremos um show fraco o ano inteiro. Bravo! [MF]

Fotos : Ronaldo Chavenco


segunda-feira, janeiro 18, 2016

Entrevista: Bullet e Suécia fundamentam a nova onda do Heavy Metal Tradicional

Bullet é mais uma das grandes surpresas oriundas da Suécia. Com seu mais novo álbum Storm of Blades (2013) a banda se tornou uma das grande referências para o ressurgimento do heavy metal tradicional na Europa ou carinhosamente chamado de NWOTHM (New Wave Of Traditional Heavy Metal) pela maioria. A banda é tão respeitada na Suécia, que até já abriu para o AC/DC e tocou para mais de 50.000 pessoas num estádio lotado. Conversei com os guitarristas Hampus Klang e Alexander Lyrbo a respeito de suas influências, os métodos utilizados para a gravação do álbum, Accept e um pouco da história da banda. Confira a seguir.

Eu estou curioso para saber como a idéia para formar o Bullet surgiu, já que tudo (inclusive o logotipo) foi criado tendo em mente as bandas dos anos 80. Isto foi apenas uma coincidência? Conte-me um pouco sobre o conceito entorno de Bullet.
Hampus Klang – Na verdade não. Sempre amei o Heavy Metal e a idéia era começar a melhor banda de Heavy Metal que existe. A banda que tivesse de tudo. A voz de Hell Hofer sempre funcionou muito bem para este tipo de música. A maioria de nossas bandas favoritas são do início dos anos 80 como Judas Priest, Twisted Sister, Accept, Saxon, AC/DC, Rose Tattoo, Black Sabbath, Dio, Iron Maiden e assim por diante. Eu realmente acho que os álbuns antigos soavam muito melhor que os álbuns lançados hoje em dia. Eles tinham uma atitude mais crua e natural.


Bullet lançou um álbum novo chamado Storm of Blades. Como foi compor material novo para este álbum, tendo a árdua tarefa de superar a já bem sucedida discografia do Bullet?
HK – Desta vez nós criamos uma metodologia diferente para escrever músicas. Nós sentamos numa sala de ensaio por oito horas todo o dia por três meses e fizemos um monte de demos em cada música até ficarmos totalmente satisfeitos com o resultado. A idéia era não tentar fazer algo diferente, mas fazer algo melhor possível. Nós tentamos dar uma identidade para cada música – entende? Estou muito feliz com as músicas, gravação e o layout para o álbum “Storm of Blades”.

Como foi mixar e masterizar o álbum Storm of Blades em estúdio? Houve a intenção de masterizar o álbum da mesma forma que os álbuns do Iron Maiden, Judas Priest ou até Accept o faziam nos anos 80, mantendo a mesma sonoridade até?
HK – Desta vez tentamos um novo estúdio chamado Pama com um novo cara novo chamado Mankan. Este foi de longe o mais exclusivo estúdio que nós já fomos. Nós esperamos gravar o próximo álbum ali também. Gustav, nosso baterista foi o produtor. Nós realmente não queremos que o álbum soe especialmente igual á um ano, mas queríamos que ele soasse como um álbum de metal dos anos 1979-1982 entende? (risos). Nós tentamos pegar aquele som natural e poderoso da época. Não usamos baterias trigadas ou guitarras destorcidas demais. Hoje em dia nós temos uma coleção imensa de guitarras e amplificadores e demorou para acharmos aquele que soava melhor. Tentamos todas as possibilidades até estarmos satisfeitos.
Alexander Lyrbo – Nós não tentamos masterizar ou gravar da mesma forma como era nos anos de ouro, 1978-1982, apenas utilizando equipamento analógico de gravação, por exemplo, ou apenas instrumentos e amplificadores daquela época. Mesmo assim, quando penso a respeito, alguns amplificadores e guitarras que usamos são daquela época (risos). Meu ponto é que não ficamos copiando cegamente tudo que eles faziam naquele tempo. Nós tínhamos o som perfeito em nossa cabeça e fizemos de tudo para chegar lá (risos).

Eu gostaria de saber um pouco sobre as letras para as músicas do Bullet. Como as letras para as músicas do Bullet são escritas?
AL – Bullet é sobre deixar os tempos bons rolar. Sempre que temos a inspiração para escrveer sobre como uma coisa é feita, escrevemos uma letra. E assim isto é feito em nosso amado busão de turnê do Bullet, viajando para uma nova cidade ou deixando outra para trás em procura de uma nova aventura ou experiência.

Hell Hofer possui uma voz forte e única, mas não há muito a respeito dele na internet. A carreira dele começou no Bullet como todos os outros membros?
HK – Ele sempre se interessou por cantar. Quando ele fez sete anos aproximadamente, o único lugar que ele podia cantar era na igreja, então ele se juntou ao coral da igreja. Eu acho que ele entrou numa banda aos 15 anos numa banda que tinha o estilo do Venom.
AL – Foi do céu ao inferno (muitos risos)
HK – Sim! Ele também esteve numa banda não muito séria aos 17 anos e não tenho certeza se naquela época ele cantou ao vivo. Mas eu zoava ele muito por que eles tocavam uma música do Toto. Eu e Hell fomos na mesma escola de música juntos e ele era o único cara que dirigia uma Harley e tinha cabelo comprido, sabia cantar e usava roupas de couro – então começamos a tocar juntos. Isto foi lá em 1996. Tocávamos músicas do Accept, Twisted Sister, Iron Maiden, AC/DC, Manowar e etc. Tentamos escrever nossas próprias músicas, mas elas sempre foram muito ruins. Pelo menos fomos inteligentes o suficiente para não lançar/gravar elas. Após algumas modificações de lineup, decidimos que queríamos procurar headbangers sérios e começar uma banda de verdade com músicas autorais. O restante de nós tocamos em muitas bandas antes. Eu toquei com o Hypnosia, Birdflesh e Jigsore Terror. Muitos de nós tocamos em bandas de thrash ou death metal antes.
AL – Eu toquei no Nominon e no Gravestoned antes. Nominon é uma banda de death metal que nosso antigo baixista Lenny Blade também tocou por alguns anos. Gravestoned era um som meio que Black Sabbath, início de Rush.
HK – A primeira vez em que vi Alex tocar foi no Säljervyfestival. Eu e Gustav estávamos bêbados, mas lembramos que eles eram muito bons. Também gostamos que ele tocou numa Gibson Firebird.

As bandas dos anos 80 como Accept, Judas Priest e Iron Maiden são influências para qualquer bandas de heavy metal. É correto dizer isto? Vocês tem outras influências quando vocês compõe?
AL – Sim é verdade!
HK – Estas bandas são os nossos heróis e claro, nossa grande inspiração. Nós ouvimos diversos outros estilos também. Um monte de música dos anos 70. Eu acho que Bullet é mais uma inspiração do início do blues e bandas mais brutais como Slayer, mas a maioria da inspiração vem de ponteiras, couro, amplificadores Marshall, guiatarras Gibson e bater cabeça.
AL – Mulheres e cerveja também.

Existem planos para lançar Storm of Blades na América do Sul? Você sabe algo a respeito?
HK – Seria muito legal, nós nunca estivemos aí. Sempre quis ir para a América do Sul, estou congelando aqui na Suécia agora. Não sei se a Nuclear Blast tem intenção de lançar o álbum na América do Sul, mas ficaria muito feliz se o fizessem. Esperamos poder estar aí em 2016. Sou um bom amigo de Casey (baixista do Skullfist) e ele me disse que os fãs da América do Sul são os mais loucos do Mundo. Uma semana atrás tocamos com o Sepultura na Alemanha. Sou um grande fã das coisas antigas do Sepultura.


Bullet é uma banda que está tomando parte da NWOTHM (New Wave Of Traditional Heavy Metal ou Nova Onda de Heavy Metal Tradicional). O que você acha deste renascimento do heavy metal tradicional?
AL – Muitas, mas muitas bandas tinham um som muito parecido nos anos 80 – no final dos anos 70, o que a idéia geral de tudo quando se fala em nova onda de algo; você pega algo que já existe e o faz novamente com pequenas modificações. Mas você não pode fazer muitas modificações, se você o faz você trai os fãs. Algumas bandas conseguem fazer algo extra, eles conseguem administrar o som num certo limite que é leal ao som mas se destaca da maioria. Eu gosto de bandas assim. Não odeio as outras, mas não vejo muito interesse nelas.

A banda está ativa desde 2003. Como é para o Bullet já ter 10 anos de história dentro da cena do Heavy Metal? O quão Bullet é responsável pelo renascimento do Heavy Metal?
AL – Bullet está ativo desde 2001 e naquele tempo o thrash metal foi o grande estouro entre aqueles que curtiam Heavy Metal. Em todas as festas o Heavy Metal tocava, mas ninguém tinha uma banda ssim. Uma banda de verdade de Heavy Metal era necessária, por isso o Bullet foi criado (risos).
HK – Eu acho que demos uma ótima impressão, pelo menos na Suécia. Eu comecei um festival cvhamado Muskelrock com nosso antigo manager de turnês Jacob Hector há oito anos. Nós temos umas 25 bandas todo o ano  muitas o dizem que Bullet foi a grande razão por terem começado. Isto já dá muita moral!

Bite the Bullet do álbum Bite the Bullet (2008) é uma das muitas músicas que fazem homenagem ao AC/DC também. O quanto você acha que o AC/DC influencia o renascimento que está ocorrendo?
AL – AC/DC é uma das melhores bandas de todos os tempos então eu espero que sim.
HK – Se você não gosta de AC/DC tem algo de errado com você. Eles fizeram álbuns tão incríveis e continuam fortes. Quando eu conheci Angus Young eu me sentia com 12 anos. Eu estava tão nervoso e a única coisa que podia dizer era “Eu amo você” e dei um abraço (risos). Quando lançamos “Bite the Bullet” um monte de coisas aconteceram. Fizemos uns 120 shows por ano e abrimos para o AC/DC para 50.000 pessoas e estivemos nas rádios suecas todo o dia. Esta m´sucia significa muito para nós. Nós deixamos rapidamente de ser uma banda pequena de porão e ter bebidas grátis com nossos heróis para tocar em grandes festivais. Foi um sonho se tornando realidade.

Você acha que bandas de heavy metal como o Hammerfall são referência para o NWOTHM, ou você acha que eles seguem uma cena completamente diferente na cena?
AL – Hammerfall começou nos anos 90 quando o Heavy Metal estava totalmente morto no mainstream, especialmente na Suécia, mas ainda conseguiram construir um nome para eles que vale muito respeito. Nós fizemos turnês com eles por alguns anos e eles são ótimas pessoas.

O que você acha do Heavy Metal hoje em dia?
AL – Eu penso que o Accept é uma das bandas “antigas” que continuam mantendo a chama do Metal viva dirante os anos e ainda lançam excelentes álbuns. Blood of Nations é um clássico na minha opinião. Accept sempre foi a inspiração, mas indo contra o que outros dizem, não roubamos nada deles. Entretanto, nós roubamos nosso logotipo do Adam Bomb. Hampus procurou em revistas antigas e achou o logotipo, pensou que ninguém conhecesse o cara e o roubou. No entanto, seis anos depois, nós vimos nossos logotipos um ao lado do outro e tocamos no mesmo festival (risos). Festejamos juntos em nosso ônibus e ele até escreveu uma música sobre este roubo.
HK – Sim, isto foi muito divertido, ele estava sentado com um violão cantando:
- Bullet roubou meu maldito logotipo...
Nós preenchemos com Adam Bomb, lixo de Los Angeles. Ele mais tarde encontrou o amor com uma garota na casa de Hell Hofers (risos).


Muito obrigado pela entrevista e eu espero vê-los no Brasil em breve. Deixem sua mensagem aos fãs do Bullet no Brasil.
AL – Continuem loucos!

HK – Bang your heads!

sexta-feira, janeiro 15, 2016

Entrevista: Ambush - O Novo Pilar do Heavy Metal

Ambush é uma banda da Suécia que está fazendo parte da NWOTHM ou na tradução livre em português "Nova Onda do Heavy Metal Tradicional" e lançou ano passado seu mais novo álbum Desecrator (2015) com a difícil tarefa de superar o antecessor Firestorm - por muitos considerado o melhor lançamento de Heavy Metal de 2014. Conversei com o baterista Linus Fritzson que me contou mais sobre a origem do Ambush, influências e revelou um pouco mais sobre a cena sueca que está revolucionado o mercado musical Mundial, com a explosão de bandas  que estão fazendo de tudo para preservar o estilo mais amado dentro do rock Mundial: o Heavy Metal.

Conte-me um pouco sobre como vocês se encontraram e decidiram formar uma
banda de Heavy Metal.
Bom, nós todos somos amigos há séculos! Nós compartilhamos este mesmo amor pelo Heavy Metal e tocávamos em diferentes bandas. Percebemos como era estranho estarmos tocando em bandas diferentes e não juntos, então nos encontramos e ensaiamos. O resultado foi o Ambush.

Eu estou curioso para saber como a idéia para formar o Ambush surgiu, já que tudo (inclusive o logotipo) foi criado tendo em mente as bandas dos anos 80. Isto foi apenas uma coincidência? Conte-me um pouco sobre o conceito entorno de Ambush.
Um monte de bandas modernas de “merda” estão sendo formadas na Suécia e nós nunca gostamos disto. Sentimos que era o nosso trabalho como Seres Humanos tentar trazer o Metal de volta em sua pura forma. A idéia toda entorno de Ambush foi manter-se fiel á música e o logotipo também possui nossa idéia do que é o Heavy Metal é em sua melhor forma. A música que amamos, são bandas como Judas Priest e Accept e nosso objetivo é honrar seu legado.

Ambush lançou um álbum novo este ano chamado Desecrator. Como foi compor material novo para este álbum, tendo a árdua tarefa de superar o bem sucedido debute Firestorm?
Desecrator foi bem tranqüilo para nós na verdade. Estamos muito satisfeitos com o Firestorm, mas penso e falo por todos nós dizendo que estamos ainda mais satisfeitos com o resultado de Desecrator. Ambos os álbuns surgiram naturalmente e não houve uma pressão para criá-los. Continuamos escrevendo e compondo músicas que amamos do mesmo jeito, a única diferença foi que tivemos muito mais sincronia musicalmente e após os shows que fizemos para o álbum Firestorm.

Como foi mixar e masterizar o álbum Desecrator em estúdio? Houve a intenção de masterizar o álbum da mesma forma que os álbuns do Iron Maiden, Judas Priest ou até Accept o faziam nos anos 80, mantendo a mesma sonoridade até?
O álbum Desecrator foi mixado e masterizado no estúdio PAMA por Mankan e Maxe, dois caras incríveis. Eles sabiam exatamente como queríamos a sonoridade do álbum sem ter que falar isto para eles. Nós demos referências, mas não acho que eles precisaram delas, pois eles sabem como Heavy Metal tem que soar (risos).

Eu gostaria de saber um pouco sobre as letras para as músicas do Ambush. Como as letras para as músicas do Ambush são escritas?
A maioria das músicas são escritas primeiro e depois Oskar (Jacobsson, vocalista) se inspira nas músicas para escrever suas letras. Eu acho que é uma ótima aproximação, pois ele sempre consegue tirar aquela pegada de sentimento nas letras. Ainda mais, ele também está bêbado todo o tempo e suas alucinações em bebedeiras sempre resultam em ótimas idéias. Ludwig (Sjöholm, baixista) e Olof (Engkvist, guitarrista) também têm escrito letras e que resultaram em ótimas idéias.

Oscar possui uma voz forte e única, mas não há muito a respeito dele na internet. A carreira dele começou no Ambush como todos os outros membros?
Nenhum de nós esteve em uma banda de verdade antes de Ambush, mas Oscar esteve em uma banda ótima chamada B.S.T. antes. Eles lançaram um álbum apenas e se há fãs fervorosos de Oscar Jacobsson por aí, vocês podem conferir esta banda também (risos).

As bandas dos anos 80 como Accept, Judas Priest e Iron Maiden são influências para qualquer bandas de heavy metal. É correto dizer isto? Vocês tem outras influências quando vocês compõe para o Ambush?
Obviamente nenhuma banda escapa da influência destas bandas gigantes! Eu acho que não conseguiríamos tocar Heavy Metal sem a influência destas bandas, já que estas criaram o som que queremos conservar! Há um monte de outras bandas importantes para nós, como nossos amigos e compatriotas do Enforcer, The Scams e Bullet – mas há também bandas do outro lado do oceano como o Skull Fist. Há um monte de bandas ótimas por aí e você pode encontrar influências em todos os lugares em que você for.

Qual é a sua opinião ser comparado com bandas assim? É correto fazer isto?

Ser comparado não tem problema, como dissemos anteriormente, queremos divulgar seu legado e o Heavy Metal. Mas não me entenda errado, nós somos uma banda, fazendo nosso próprio som, mas não há como escapar dos criadores do gênero. Eu quero dizer que as pessoas não apenas ouvem Ambush por que querem ouvir Judas Priest, mas ouvem Ambush por que querem ouvir o Ambush.

Existem planos para lançar Firestorm ou Desecrator na América do Sul? Você sabe algo a respeito?
Eu não sei por saber, mas claro que seria incrível alcançar melhor nossos irmãos e irmãs na América do Sul! Espero algum dia!

Ambush é uma banda que está tomando parte da NWOTHM (New Wave Of Traditional Heavy Metal ou Nova Onda de Heavy Metal Tradicional). O que você acha deste renascimento do heavy metal tradicional?
O renascimento do heavy metal tradicional é o que a cena precisava! Hoje as bandas de Metal estão ficando cada vez mais modernas e estão virando bandas pop. Era necessário que uma reação forte destas que está acontecendo agora, trouxesse estas raízes de volta. Para manter o Heavy Metal vivo, você precisa ser verdadeiro e é isto que esta onda é para mim.

Você acha que bandas de heavy metal como o Hammerfall são referência para o NWOTHM, ou você acha que eles seguem uma cena completamente diferente na cena?
Hammerfall é uma excelente banda, de verdade, mas eu não os colocaria na mesma classificação – pois eles começaram bem antes desta nova onda. Eu acho que eles tocam uma espécie mais moderna de metal que aquilo que tocamos. É a minha opinião pelo menos. Mas eles são uma banda incrível!

O que você acha do heavy metal hoje em dia?
Eu acho que há esperança. Há um monte de bandas novas por aí! Night, Screamer, Enforcer e Bullet são algumas das bandas suecas que estão agitando o meu Mundo neste momento e o tem feito há algum tempo. Se as pessoas pararem de modernizar e ao invés disto trazer as raízes de volta, tudo ficará bem (risos).

Você já ouviu falar em bandas brasileiras como o Dominus Praelli ou Hellish War?
Infelizmente não. Na verdade não tenho ouvido bandas da América do Sul. Espero que a gente vá a América do Sul no futuro e que consigamos conferir todas as bandas incríveis que devem existir por aí!

Qual é a receita que você dá ás bandas hoje que querem formar uma banda de heavy metal hoje em dia?
Ouçam ao Ambush (muitos risos). De verdade, ouça música que você ama e nunca saia de seu caminho. Sejam verdadeiros com vocês mesmos, sua música e aos Deuses do Metal e o que vocês podem alcançar será inimaginável.

Muito obrigado pela entrevista e eu espero vê-los no Brasil em breve. Deixem sua mensagem aos fãs do Ambush no Brasil.
Saudações irmãs e irmãos do Metal no Brasil! Eu espero vê-los num futuro próximo e até lá, continuem verdadeiros!


quarta-feira, dezembro 16, 2015

David Gilmour emociona público em São Paulo com músicas de Pink Floyd

São Paulo é levado para outra dimensão pela primeira vez através da janela aberta por David Gilmour e seu conjunto impressionante de músicos.


A primeira vez de David Gilmour em São Paulo não poderia ter sido diferente. Após expectativas mil, finalmente a voz e guitarra do Pink Floyd toca na cidade da garoa. Lançando seu mais novo álbum, Rattle that Lock, Gilmour se apresentou diante de um estádio lotado, com 45.000 pessoas cantando suas músicas. O impressionante jogo de luzes, combinado com as imagens no telão redondo logo acima da banda, impressionava pela resolução e similaridade com o que foi utilizado na turnê de Pulse, do Pink Floyd. David Gilmour começa seu show com 5 A.M. de seu mais novo lançamento Rattle that Lock emendando com mais duas do mesmo álbum, Rattle that Lock e Faces of Stone - uma das músicas mais incríveis deste álbum novo. O primeiro clássico do Pink Floyd da noite levou as pessoas no estádio á loucura, Wish You Were Here foi comemorado como um gol do Palmeiras naquela noite - tendo em vista que o show ocorreu no Allianz Parque, novo estádio do time alviverde de São Paulo. Celulares iluminavam a arena como luzes numa árvore de natal. Incrível momento de união poderia ser sentido, exceto para algumas pessoas que eram intimadas a abaixarem seu celular pois constantemente filmavam o que acontecia no palco, incomodando aos que queriam ver o show. Antes de iniciar A Boat Lies Waiting, Gilmour pediu que a platéia fizesse silêncio para uma das músicas mais introvertidas do álbum Rattle that Lock. Era impressionante o talento dos backing vocals até agora, pois faziam uma harmonia incrível com a voz de Gilmour. Com a próxima música da noite, The Blue, do álbum On An Island (2006), Gilmour deixou a platéia extasiada com o grande trabalho de guitarra. O público voltou a agitar muito com Money, outro clássico do Pink Floyd vindo do grandioso multiplatinado The Dark Side of the Moon (1973). Destaque para o garoto João de Macedo Mello, o multi-instrumentista de 20 anos e seu saxofone, que levaram o público ao delírio com seu solo de de sax no ponto alto da música. Incrível!
O próximo gol da noite foi com Us And Them, também do álbum The Dark Side Of The Moon
(1973), mais uma vez provando que João não foi escolhido só por ser brasileiro, mas sim por ser um excelente músico. Com In Any Tongue, do álbum Rattle that Lock, Gilmour mostrou sua grande crítica ás guerras no telão, mostrando em desenhos, um soldado matando uma criança, por acaso e possivelmente inocentes em um ambiente que parecia ser o Iraque. O soldado entrou em conflito e seu coração não quis mais guerra - no final da música o mesmo soldado acaba morrendo naquele deserto, sozinho e um ciclo se fecha. O recado foi forte e me pegou de surpresa. Para aliviar a tensão o sino era iluminado por uma luz no palco e High Hopes, do álbum The Division Bell (1994), revelava suas primeiras notas. Que música incrível. A voz suave e mágica de Gilmour combinada com o piano vibravam pelo estádio, levando a maioria para aquele Mundo retratado no telão, com céu azul e campos que não possuíam fim. Com o fim da música, Gilmour anuncia que teremos 20 minutos de intervalo, deixando assim o palco. As luzes se apagam e a banda retorna para a segunda parte do show com Astronomy Domine, do álbum The Piper of the Gates of Dawn (1967), composta pelo guitarrista/vocalista Syd Barret, falecido em 2006 com 60 anos vítima do câncer ou do diabetes - não se tem certeza ao certo. A banda emendou logo com Shine On You Crazy Diamond, do álbum The Dark Side Of The Moon (1973) (levando mais uma vez o público ao delírio, e a cena do Mar de celulares ligados se repetia. O público em si fazia um show por si só, cantando as músicas de cabo a rabo em uníssono. Impressionante. Um dos momentos mais interessantes foi a escolha de Gilmour em tocar Fat Old Sun do álbum Atom Heart Mother (1970) - aquele da vaca na capa. Tenho certeza de que ele juntou o útil ao agradável, já que a música é de sua autoria - uma curiosidade é que Gilmour gravou todos os instrumentos quando a música foi gravada no Abbey Road Studios.
A maioria nem percebeu que aquela música se tratava de uma música de um dos melhores álbuns do Pink Floyd. Gilmour continuou seu set com a música do álbum On An Island (2006), chamada On An Island emendando em ritmo noir a incrível The Girl In The Yellow Dress e Today - que finalmente contou com solos de Phil Manzarena, ambas do álbum Rattle that Lock. Impressionante foi a escolha de Sorrow do álbum A Momentary Lapse of Reason (1987) para este show - outra música composta por David Gilmour para o Pink Floyd. Disse ele em algumas entrevistas que esta música foi escrita a princípio como um poema e depois a música foi escrita para ele - foi utilizada uma bateria eletrônica para esta música nas gravações. Com Run Like Hell, do The Wall (1974), muitos presentes confundiram esta com Another Brick In The Wall, do mesmo álbum, o que achei no mínimo estranho - pois havia muitos fãs de Pink Floyd na platéia. O guitarrista depois se despediu do público apenas para voltar novamente com Time, do álbum The Dark Side Of The Moon (1973) - um verdadeiro clássico do Pink Floyd, emendando com Breathe (In the Air) do mesmo álbum - um momento em que o ar já me faltava de tanta apreensão.
David Gilmour e sua guitarra havaiana (slide guitar) são simplesmente únicas e cativantes. O inglês terminou seu show com nada mais, nada menos que Comfortably Numb, do álbum The Wall, levando muitos a chorar copiosamente - principalmente na hora do solo de Gilmour, considerado um dos solos mais bonitos já criados para uma música. Assim terminava a catarse coletiva, um dos momentos mais incríveis já presenciadas por este que vos escreve. Fico feliz que David Gilmour continua tocando e criando músicas incríveis e que nunca se esqueça do que rolou naquele estádio. Certamente ocorrerá todas as vezes que voltará a tocar aqui. Inesquecível!

sexta-feira, dezembro 11, 2015

Coletiva de Imprensa David Gilmour

Antes dos shows que ocorrerão no Brasil e na América do Sul, David deu uma coletiva de imprensa, falando sobre o álbum novo Rattle That Lock e sua relação com Roger Waters.


David Gilmour, ex-guitarrista e vocalista da banda inglesa Pink Floyd, está no Brasil para uma série de apresentações. A primeira delas será nesta sexta-feira, 11, no Allianz Parque, em São Paulo, e a segunda no dia 12, sábado, no mesmo local. O restante dos shows no Brasil são Curitiba (14, Pedreira Paulo Leminski) e Porto Alegre (16 na Arena do Grêmio). O músico de 69 anos participou de uma entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira, 10, ao lado do palco em que ocorrerão os shows em São Paulo.
Com bom humor, educação, mas bem ligado nas perguntas, Gilmour respondeu que não tem ainda opinião formada sobre o Brasil. Disse ele, que só conhece o que viu dentro da van – despertando risadas nos jornalistas presentes. “Eu desembarquei, passei rápido pelo hotel e vim para cá falar com vocês” – disse. Mas, óbviamente, disse que a primeira vez em um país é sempre estimulante, principalmente no Brasil. David disse que sempre quis vir ao Brasil e por sorte desta vez deu tudo certo e está aqui em um bom momento, disse o inglês com um sorriso no rosto. “Ainda estou vivo e minha vida é esta, tocar”, completou. David disse ainda que não tem nada de diferente ou especial preparado para o público brasileiro. Complementou garantindo,  no entanto, que o show por si próprio será algo bem especial.

Confessou para os jornalistas presentes não conhecer quase nada da música ou da cultura brasileira, mas também aliviou que agora tem uma conexão com o nosso país – o novo saxofonista dele, João de Macedo Mello, de 20 anos, que também estava na coletiva, nasceu no Paraná. Quanto ao setlist do show, será uma mistura de material solo, dando ênfase as faixas do Rattle That Lock, seu álbum solo mais recente, e algumas clássicas do Pink Floyd. Disse ainda que homenageará o cultuado Syd Barrett, primeiro guitarrista da banda, com a viajante e espacial “Astronomy Domine”. Gilmour no obstante garante que é difícil montar um repertório que agrade todo o mundo. “Eu tenho que ficar satisfeito com o que toco no palco, assim como o público, é claro”, diz ele. “Mas é muito material, muita coisa. É natural que algumas coisas fiquem de fora”, explica.
Também estavam na coletiva o guitarrista Phil Manzanera (ex-Roxy Music e produtor dos álbuns desde On an Island, de Gilmour) e Polly Samsom, esposa de Gilmour, escritora, letrista e jornalista do The Observer, resposnável pelas letras de The Division Bell (1994), do Pink Floyd, como também  auxilia nos projetos solos do marido. “Eu e a Polly colaboramos há mais de 20 anos. É uma satisfação trabalhar com Polly. Ela me ajuda de muitas formas. Polly também está no Brasil para divulgar o livro Um Ato de Bondade (The Kindness em inglês), que está saindo pela editora Record. O legal que David Gilmore pronunciou o nome do livro em português, levando todos na sala a se surprender com tal ousadia.
Sobre as comparações de seu álbum “Rattle that Lock” lançado este ano com o álbum mais pop de sua carreira, o ótimo “About Face” (1984), David disse que Phil somente juntou músicas que ele compôs e as produziu e que não era intenção de Phil, muito menos de David, fazer deste álbum novo, um álbum de fácil audição e sim, um álbum que retrata seu momento pessoal na vida. Como todos já devem saber, o Pink Floyd nunca mais retornará, apesar de Gilmour e o baixista Roger Waters não se odeiam mais tanto como nos anos 1980 e 1990. O guitarrista recorda que a última vez que os integrantes do Pink Floyd tocaram juntos, em uma ocasião especial no Live 8 em 2005, houve tensão e recordações indesejadas. “Aquela foi uma causa beneficente importante e não podemos falar não para os organizadores”, ele recordou. “Mas teve momentos de tensão e discussão. Eu pensava: ‘por qual motivo ainda estou ao lado dessa gente?’ E quanto ao Roger, eu tive que lembrá-lo que ele era apenas um convidado naquela ocasião. Ele interferiu, quis mexer no repertório, mas a minha palavra prevaleceu” -disse. Sobre seu aparecimento surpresa dele e do ex-baterista Nick Mason em um show de Waters no O2, em Londres, em 2011, Gilmour lembra: “Bem, aquilo começou como piada”, disse o guitarrista. “Nós iríamos cantar, só de brincadeira, ‘To Know Him is To Love Him’, dos Teddy Bears, ex-grupo do Phil Spector. Fazíamos essa nos ensaios do Pink Floyd. Mas resolvemos no final fazer 'Comfortably Numb', de The Wall. E deu certo”.

quarta-feira, novembro 18, 2015

Chuva, Emoção e muitos clássicos: Pearl Jam em São Paulo

Pearl Jam veio á São Paulo e fez extenso show num Estádio do Morumbi lotado e iluminado por um mar de luzes em homenagem ás vítimas de Paris, na França


O Pearl Jam veio ao Brasil divulgar seu mais recente álbum, o Lightning Bolt e uma das paradas da banda foi no Estádio do Morumbi em São Paulo, com ingressos esgotados.  Os americanos trouxeram em sua formação Eddie Vedder, Stone Gossard, Jeff Ament, Mike McCready e Matt Cameron, este último também baterista dos conterrâneos de Seattle, o Soundgarden. As luzes do estádio se apagaram para o início da apresentação ás 21:00 horas aproximadamente. A banda inicia sua apresentação com a faixa Long Road que foi retirada da trilha sonora do filme “Os Últimos Passos de um Homem” (Dead Man Walking) com Sean Penn e Susan Sarandon no papel principal de Tim Robbins – um drama muito bom dos anos 90 e que teve como destaque Susan Sarandon, que venceu o MTV Movie Awards na categoria melhor atriz. A banda continuou com Of the Girl, do álbum Binaural (2000) e Love Boat Captain do álbum Riot Act (2002) – cá entre nós um início bastante morno para um show com estádio lotado. 

O show realmente começa com os fãs pulando com Do the Evolution do álbum Yield (1998), na minha opinião, uma das melhores músicas já compostas pela banda. O clipe foi todo feito á mão por Todd McFarlane, que na época ficou muito famoso depois de debutar em clipes de rock com a música Freak On a Leash do Korn. A banda continou agitando muito o público com Hail,Hail retirado do No Code (1996)- um dos álbuns que na época era considerado o mais diversificado até então, pois incluía estilos do garage rock, worlbeat, psicodelismo e experimentalismo em suas composições. Um álbum considerado mal recebido pelos fãs na época, mas muito bem recebido na noite. A banda logo depois mandou Why Go, primeiro sucesso da noite retirado do incrível Ten (1991), que pela imprensa não é considerado um álbum típico da cena grunge e muitas vezes foi acusado de pular na cena grunge como lobo em trajes de ovelha por ser um típico álbum de rock alternativo. Logo depois Eddie Vedder se diz muito feliz em estar em território brasileiro e pede para que as pessoas cuidem um dos outros na platéia e se respeitem. 
Pearl Jam é uma daquelas bandas que já sofreram com tragédias em estádios como na turnê européia de 2000 no Festival Roskilde na Dinamarca, onde um pânico generalizado teve fãs pisoteados e sufocados. A banda sabe muito bem hoje como controlar situações de risco. A banda continuou o show com Getaway e Mind Your Manners, ambas retiradas do álbum Lightning Bolt (2013). Percebia-se que havia uma mudança de palco quando o Pearl Jam tocava músicas deste álbum, pois se utilizavam de outro tipo de iluminação que suspendia do teto e dava a impressão de serem catalizadores de energia. Com Deep, o Pearl Jam retorna ao Tem (1991) levando muitos fãs á loucura com a guitarra distorcida de Michael “Mike” David McCready. A banda viaja um pouco ao passado com Corduroy, do álbum Vitalogy (1994) desta vez mostrando um pouco de sua influência no grunge. Em Lightning Bolt, a banda já percebia que o tempo estava virando e o vento havia se tornado muito forte movimentando muito a iluminação do teto. Em Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town do álbum VS.(1993) Eddie decide fazer um solo para que os técnicos pudessem fazer a manutenção na iluminação do palco – o que não adiantou muita coisa. A banda no entanto continuou seu show normalmente e toca Even Flow do álbum Ten (1991) para a alegria dos fãs. 
Logo depois de um clássico, a banda dá um balde de água fria com a balada Come Back do álbum Pearl Jam (2006) logo retornando ao álbum Lightning Bolt (2013) com Swallowed Whole. Com Given to Fly, a banda lembra do álbum Yield (1998) pela última vez, mas com chave de ouro – uma das músicas mais belas do Pearl Jam. Neste momento começa a chover no estádio. Mas os fãs pareciam não se importar assim que a banda inicia Jeremy, o grande clássico do álbum Ten (1991). A banda emenda o clássico com outro que foi viral nas rádios nos anos 90, Better Man do álbum Vitalogy (1994). A banda deixa o púbclio para um breve descanso após tocarem um dos clássicos da Era Grunge com Rearviewmirror retirado do álbum Vs.(1993). Após uns dez minutos, a banda retorna com Eddie agradecendo o público por estarem presentes e que para eles aquele momento era muito especial após quase dois anos em turnê com o álbum Lightning Bolt iniciando o segundo tempo com Footsteps, retirado do single Jeremy e raramente lembrado pela banda nos shows. Logo depois a banda faz uma cover para Imagine de John Lennon, dedicada ás vítimas do atentado terrorista em Paris, na França, matando 135 pessoas e deixando mais de 300 feridas. O público dando um show á parte, iluminando o estádio inteiro com os celulares. Belíssima imagem. 
   
 A banda continuou seu set com Sirens, do álbum Lightning Bolt (2013), uma das músicas muito bem recebidas pelo público retornando para o Vitalogy (1994) com Whipping – uma das músicas mais agitadas do álbum, levando todos do público a agitar com a banda. A calmaria a la R.E.M. retorna ao set com I Am Mine do álbum Riot Act (2002) e ela logo é desfeita com a incrível Blood do álbum Vs. (1993) um dos álbuns que mais simboliza o grunge na carreira do Pearl Jam -  com direito a Matt Cameron castigando a bateria sem piedade. A banda termina o segundo tempo com o clássico Porch do álbum Ten (1991).
O terceiro tempo inicia após um breve intervalo com Comatose, retirado do álbum Pearl Jam (2006) e emendam com State of Love and Trust, música retirada da trilha sonora do filme Vida de Solteiro de 1992 que também incluía músicas de bandas como Alice in Chains, Bruce Springsteen, Johnny Cash, Patti Smith, entre outros. Altamente recomendado. A banda continuou seu set com outro clássico do álbum Ten (1991), anunciando Black – um dos pontos altos do show junto com Alive, música tocada logo depois. A banda, ainda bastante chocada com o acontecimento do dia anterior ainda homenageou o direito a livre expressão com a cover para Neil Young  - Rockin’ in the Free World. A banda encerra seu show retornando áquele fatídico primeiro single de sua extensa discografia, o Jeremy, tocando Yellow Ledbetter, uma das baladas mais belas da banda. 
Um show que agradou alguns, outros acharam que faltou mais músicas que impactaram na cena grunge, mas preciso admitir que a banda com seu líder Eddie Vedder cumpre o que promete. Fez um show extenso, percorrendo toda a carreira da banda, executando praticamente todos seus sucessos. Isto precisa ser reconhecido e certamente foi um dos grandes shows do ano.

Fotos: G1 Globo

terça-feira, outubro 27, 2015

Muse traz turnê "Drones" para São Paulo

Maglore abriu o show dos inglêses em São Paulo mostrando ao público músicas do recém lançado álbum "III" 


Com muitos shows rolando no final de semana e o advento do ENEM, o Muse teve a árdua tarefa de lotar o novo estádio do Palmeiras, o Allianz Arena. Para dar uma força aos ingleses, a banda que ficou responsável pela abertura do show foi a Maglore, de Salvador, Bahia. Os soteropolitanos Teago Oliveira (voz e guitarra), Rodrigo Damati (baixo) e Felipe Dieder (bateria) estão lançando seu mais novo petardo, o aclamado pela cena indie “III” e aproveitaram o gancho para mostrar aos fãs do Muse um pouco de sua música. Começando os trabalhos um pouco mais tarde que o prometido, a banda adentra ao palco umas 19:45 e iniciam com a interessante O Sol Chegou do álbum novo “III” que com o baixo ritmado de Rodrigo, levou algumas pessoas a prestarem atenção ao que a banda estava tocando. Com Vamos pra Rua, música do segundo álbum que leva o mesmo nome, deixou ainda mais clara a grande influência que as bandas mais novas estão tendo com a grande explosão de bandas indies na Inglaterra. A influência clara de bandas como Artic Monkeys, Kasabian, Franz Ferdinand, Travis, Kaiser Chiefs e outras. O vocal e guitarrista Teago não perde tempo e logo começa com a seguinte música de seu setlist – Espelho do Banheiro, do segundo álbum Vamos Pra Rua. Com Invejosa, música do álbum novo III, percebo que há diversas pessoas prestando muita atenção ao show e até cantarolando junto. A banda ainda tocou Serena Noche – do álbum novo III, Beleza de Você do álbum Vamos Pra Rua e encerraram o show com Dança Diferente e Mantra, sendo ovacionados pelo público que já ansiosamente esperava pela apresentação do Muse. Penso que o trio fez uma ótima apresentação, mas acredito que teria sido melhor recepcionado se tivesse tocado com o Los Hermanos – banda que os influenciou fortemente também.
O Muse entrou no palco uma hora depois. Ás 21:00 aproximadamente as luzes se apagam e Matthew Bellamy (vocal /guitarra), Christopher Wostenholme (baixo) e Dominic Howard (bateria) adentram ao palco com Psycho, uma das músicas mais contagiantes do álbum novo Drones (2015) emendando logo com Reapers, também do álbum novo. Com Plug In Baby, do álbum Origin of Symmetry (2001) a banda já lança o primeiro clássico para o deleite dos fãs, que a recebe com muito vigor -  com gritos e celulares em punho, registrando assim cada minuto. Com The Handler, do álbum Drones (2015), Christopher logo precisa mostrar a que veio, pois é uma música que precisa e muito do preenchimento com o baixo – a bateria de Dominic em muitos momentos faz apenas o básico e na maioria das vezes é complementada pelos efeitos de samplers. Com The 2nd Law: Unsustainable, do álbum The 2nd Law (2012), isto fica ainda mais evidente. Com Dead Inside, a poderosa música que abre o novo álbum Drones, me pareceu um pouco diferente ao vivo. Tive a impressão de que um dos samplers de Dominic deixaram de funcionar em algum momento – mas nada parecido com a última apresentação no Lollapalooza em 2014. A voz de Bellamy, impecável, mostra todo o seu potencial com Resistance, do álbum  The Resistance (2009) – um dos momentos em que sua voz é mais necessitada.
Nota-se a clara inspiração de Muse em Queen em diversos momentos, principalmente no refrão desta música – um dos momentos mais incríveis da noite. Com Muscle Museum do álbum Showbiz (1999) a banda volta aos anos 90 com classe e emenda com Citizen Erased, do álbum Origin of Symmetry (2001) entrando num momento peculiar de introversão no show, com Bellamy e sua guitarra e Dominic interpretando um dos momentos mais intensos do show. A banda logo emenda com Muscle Museum, o único solo de Dominic e Christopher juntos no show inteiro – sem Bellamy no palco. Com Madness, do álbum 2nd Law (2012), a banda se junta novamente para uma das melhores músicas de seu repertório e emendam com Supermassive Black Hole, clássico do petardo Black Holes and Revelations (2006) - momento em que houve uma grande sinergia entre público e banda tornando-se o ponto alto do show. As dancinhas de Bellamy e Christopher naquele momento no palco eram simplesmente impagáveis, pois balançavam suas finas cinturas com muita dificuldade – diferente dos fãs brasileiros na platéia. O setlist seguiu com Time Is Running Out, do álbum Absolution (2002) que com o cronômetro no fundo do palco, demonstrava que estávamos próximos do fim do show, mas também indicava que a banda não deixava a empolgação do público esfriar.
Com Starlight, música do álbum Black Holes and Revelations (2006), fiquei impressionado como esta música é um tributo descarado para Queen – até a guitarra de Bellamy é configurada semelhante ao Brian May para esta música. Deixa ainda mais evidente que a banda sabe muito bem escolher seu setlist , sendo esta uma das melhores músicas de seu repertório e que também inclui uma das melhores combinações de samplers e instrumentos. A banda deixa o palco após tocar Uprising, do álbum The Resistance (2009) – com direito á enormes balões pretos, que ao serem estourados soltavam confete branco no público.  A banda retorna ao palco e toca Mercy, do álbum Drones (2015), um dos momentos mais celebrados pelos fãs.
Finalmente, com uma introdução incrível de Ennio Morricone por parte de Matthew Bellamy, a banda encerra seu show com Knights of Cydonia, do álbum Black Holes and Revelations (2006) uma das músicas mais legais dos britânicos, com explosões de confete e fitas brancas e vermelhas.Que maneira incrível de encerrar um show! Acho que a banda fez um dos melhores shows em São Paulo até a atual data, mas fico mais uma vez me questionando por que a banda não incluiu em seu setlist uma das melhores músicas de seu repertório - Supremacy, do álbum The 2nd Law. Espero que esta volte ao setlist quando a banda retornar ao Brasil numa próxima oportunidade.

Fotos: Edi Fortini

sexta-feira, outubro 16, 2015

A-ha traz a turnê Cast In Steel para São Paulo no Espaço das Américas

Banda veio á São Paulo e faz revival de seus grandes clássicos com pouca atenção ao seu novo lançamento Cast In Steel


A banda norueguesa A-ha volta á cidade da garoa depois de se despedir de seu público em 2010 e trouxe na sua bagagem o novo álbum Cast In Steel – um álbum muito bem recebido pelo público e crítica. O show começou ás 22:15 e a banda foi recebida por um público sedento pelos clássicos. Era exatamente isto que a banda, formada por Magne Furuholmen (teclado), Morten Harket (vocais) e Paul Waaktaar-Savoy (guitarra) tinham em mente. A banda começou seu show com a música Cast in Steel, do álbum novo que leva o mesmo nome e emendou com a bela I’ve Been Losing You do álbum Scoundrel Days (1986). Mais adiante entraria o também hit oitentista Cry Wolf.
 Estava desenhada pelo A-ha uma curva crescente de emoção que logo arrebentaria em Move to Memphis do álbum Memorial Beach (1993) e Mythomania, do álbum Cast In Steel (2015), muito bem recebidas pelo público. Dali em frente, foi apenas questão de os seis músicos envolvidos (guitarra, baixo, bateria e um par de teclados) manterem a empatia conquistada. Morten um tanto tímido, se mostrava um tanto distante do restante dos integrantes, até Magne começar a conversar com o público e interagir com ele. Parece que Morten precisa de um empurrão para se soltar um pouco junto com Paul. Com Stay on these Roads a banda realmente engatou com os clássicos, sendo este do notório Stay on These Roads (1988) que desesperou algumas garotas que atrás de mim estavam. Gritavam desesperadamente atrapalhando e muito o clima da música.
Falando no público, era uma platéia majoritariamente nos trinta e quarenta anos vestindo camisetas aleatórias de Simply Red a Kiss e Iron Maiden, inflitrado por centenas de novinhos, de Budweiser à mão, que só devem conhecer The Living Daylights das vitrolas maternas. A banda continuou seu setlist com Scoundrel Days e Soft Rains of April ambas do álbum Scoundrel Days (1986) – interessante é que a banda não se distanciou muito do setlist de despedida em 2010 quando continuaram o setlist com o megahit Crying in the Rain do álbum East of the Sun, West of the Moon onde alguns mais exaltados gritavam algo sobre lamber as lágrimas de Morten Harket – detalhe, com a namorada do lado. Curioso é que esta música foi também gravada por uma de minhas bandas favoritas, o Everly Brothers – um dos pontos altos do show. A poderosa We’re Looking for the Whales e Swing of Things, ambas do álbum Scoundrel Days (1986) deram seqüência ao momento tecnopop romântico e trouxeram ainda mais exaltação ao público, muito participativo. Uma das surpresas foi a inclusão da música Foot of the Mountain, do álbum homônimo de 2009 que cá entre nós traz uma linha de teclados meio synthpop incríveis e absurdamente contagiosas. Via-se muitas pessoas dançando entre o público.
Mais dançante do que esta, somente You Are the One, do álbum Stay on These Roads (1988) que levou o Espaço das Américas ao delírio com o ótimo acompanhamento do sintetizador, que substituem o som das trumpetes – clássico dos anos 80. Deram seqüência ao show com Sycamore Leaves, do álbum East of the Sun, West of the Moon e deixaram o palco com o sucesso Hunting High and Low, do álbum Hunting High and Low (1985) – um karaokê coletivo ocorreu neste momento e a sensualidade foi aflorada com o ritmo meio bossa nova que a música possui. A banda sai do palco para voltar para o bis com The Sun Always Shines on TV com imagens de São Paulo no telão no fundo do palco. Achei muito legal que a banda se preocupou com este detalhe, pois deixaram claro que sabiam que São Paulo era famosa por ser a cidade da garoa. Seguiram o setlist com a nova Under the Makeup, do Cast in Steel e preciso admitir que prefiro a versão do álbum – a banda inventou uma versão diferente da música e a interpretaram num estilo mais acústico. Na minha opinião seria mais válido se tivessem a divulgado como ela é originalmente. Deixaram o palco pela segunda vez com o clássico já mencionado nesta resenha, The Living Daylights do álbum Stay on These Roads (1988) que contou com Morten Harket descendo do palco para cumprimentar os fãs que estavam na grade, próximas ao palco.
A banda deixa o palco e sobre o gritos do público, o A-ha retorna o palco para tocar justamente a música que faltava, Take On Me, clássico do álbum Hunting High and Low (1985). Neste momento a grande maioria do público escolheu dançar e deixar a boa energia da música entrar em seus corpos. Que momento de sinergia incrível! Após finalizar a música a banda se despede do público e deixa um gosto meio de “quero mais” na boa da maioria dos fãs. Penso que poderiam ter tocado mais de suas músicas mais recentes, como dos álbuns Lifelines, Analogue e Minor Earth, Major Sky – quem sabe da próxima vez quando eles vierem para São Paulo. Um grande show, que demonstrou que a vibração dos anos 80 ainda está mais viva do que nunca!

quinta-feira, outubro 15, 2015

Blind Guardian e Público realizam um dos shows do ano no Tom Brasil

Alemães retornaram ao Brasil divulgando seu mais novo álbum Beyond the Red MIrror

Hansi Kürsch


Os alemães do Blind Guardian voltaram á São Paulo e trouxeram em sua bagagem nada mais nada menos que seu último e décimo álbum de estúdio chamado Beyond the Red Mirror. Um álbum conceitual que traz a seqüência para o álbum mais bem sucedido da banda, o Imaginations From the Other Side (1995). A expectativa dos fãs era imensa até as luzes se apagarem no Tom Brasil (ex-HSBC Hall) e a banda pisar no palco para iniciar seu show com a poderosa The Ninth Wave, música retirada do álbum novo. Com um Hansi Kürsch comunicativo e que se movimentava muito no palco, a banda logo emenda o primeiro clássico da noite com Banish from Sanctuary do álbum Follow the Blind (1989) – impressionante como a adição de Barend Curbois (baixo) e Michael Schüren (teclados) engrandeceu o poder musical da banda, já que a versão de estúdio da música não chega nem perto de tantos detalhes.
Michael Schüren
Acredito que a opção de Hansi Kürsch de ter se concentrado somente em sua voz, a opção mais correta para a banda. O que achei estranho, no entanto, é não colocarem Curbois ao lado dos guitarristas André Olbrich e Marcus Siepen e sim, colocaram o baixista ao lado da bateria, ao lado do novo dono das baquetas Frederik Ehmke.
Barend Curbois

Após um breve boa noite, Hansi pergunta aos fãs se eles preferem o setlist longo ou o curto, obviamente com o público respondendo em uníssono que o setlist longo era a opção. Hansi, satisfeito, continuou o setlist da noite com a poderosa Nightfall do encantador álbum Nightfall in Middle Earth (1998) que cá entre nós, é uma das maiores obras musicais da história do Power Metal – o público naquele instante cantava junto cada trecho da música. A banda continuou o show com Fly do álbum A Twist in the Myth (2006) e introduziu Tanelorn (Into the Void) do grandioso At the Edge of Time (2010) contando a história da cidade de Tanelorn ou Cidade Eterna, que no multiverso de Michael Moorcock se encontra em todos os multiversos ao mesmo tempo, podendo ela sumir e aparecer quando quiser. Com um som incrível a banda percorreu a música com o público na palma da mão. Com a apresentação de Prophecies, do álbum novo Beyond the Red MIrror, a música foi recebida como clássico que contou com solos incríveis de Marcus e André. Com a incrível The Last Candle do álbum Tales from the Twilight World (1998), o Blind Guardian se mostra até mais pesado com Ehmke nas baquetas.
André Olbrich
Logo depois Hansi introduzia Miracle Machine do álbum novo Beyond the Red Mirror e anunciava que esta era inédita para a turnê da América do Sul e especial para o público de São Paulo. Mas uma das mais ovacionadas da noite foi o grande clássico Lord of the Rings do álbum Tales from the Twilight World (1990) com o carismático vocalista introduzindo ela como sendo a história de um Hobbit e seu anel misterioso e Mordor – levando o público ao delírio – destaque para a grande interpretação acústica de Siepen e Olbrich. Kürsch e sua incrível interpretação vocal engrandeceu ainda mais o clima juntamente com os teclados de Schüren – um dos pontos altos da noite. Com Time Stands Still (at the Iron Hill) do álbum Nightfall in Middle-Earth (1998) a banda mostra seu grande poder explosivo com uma das músicas mais poderosas de sua carreira – tudo interpretado com precisão pelo sexteto. Mas antes de deixarem o palco para o bis, os alemães seguiram o set com duas das melhores músicas do incrível Imaginations From the Other Side (1995) a clássica I’m Alive e a que leva o nome do álbum Imaginations From the Other Side para o deleite dos fãs – o melhor, o show ainda não havia terminado.
Marcus Siepen
Apesar do intervalo, a banda retorna para o palco para continuar o setlist com Wheel of Time do álbum At the Edge of Time (2010), Twilight of the Gods do álbum novo Beyond the Red Mirror e a clássica Valhalla do álbum Follow the Blind (1989) que mais uma vez contou com a participação incrível do público no refrão. Impressionante como o público presente em nenhum momento parou de cantar ou participar das músicas, um show a parte. A banda sai do palco novamente com gritos por parte do público para tocarem Majesty, do álbum Battalions of Fear (1988) – e é o que a banda faz ao voltar para o palco pela segunda vez. Ao anunciar a seguinte, The Script For My Requiem, do álbum Imaginations From the Other Side (1995) um arrepio era seguido por pura emoção, afinal, é uma das músicas mais queridas por parte dos fãs. Mas nada foi tão intenso como o momento em que a banda anuncia The Bard´s Song – In the Forest do álbum Somewhere far Beyond (1992). Com um violão cada, André e Marcus levaram o público a cantar o clássico quase sozinho – certamente o ponto alto da noite.
Frederik Ehmke
Há tempos não via um momento tão intenso de troca de energia entre banda/público. Os alemães emendaram o momento mágico com Mirror Mirror do incrível Nightfall in Middle-Earth (1998) e encerraram o show com a cover para o clássico do The Regents, Barbara Ann, que originalmente foi lançada no álbum Follow the Blind e até hoje é uma das músicas covers, mais pedidas pelos fãs. Um show feito por uma banda com mais de 30 anos de experiência, que sabe e conhece muito bem o público que tem e sempre os trata com muito carinho e respeito. Esta troca de energias só poderia resultar num dos momentos mais mágicos entre banda/público do ano! Incrível!

Crédito Fotos Edi Fortini