terça-feira, outubro 27, 2015

Muse traz turnê "Drones" para São Paulo

Maglore abriu o show dos inglêses em São Paulo mostrando ao público músicas do recém lançado álbum "III" 


Com muitos shows rolando no final de semana e o advento do ENEM, o Muse teve a árdua tarefa de lotar o novo estádio do Palmeiras, o Allianz Arena. Para dar uma força aos ingleses, a banda que ficou responsável pela abertura do show foi a Maglore, de Salvador, Bahia. Os soteropolitanos Teago Oliveira (voz e guitarra), Rodrigo Damati (baixo) e Felipe Dieder (bateria) estão lançando seu mais novo petardo, o aclamado pela cena indie “III” e aproveitaram o gancho para mostrar aos fãs do Muse um pouco de sua música. Começando os trabalhos um pouco mais tarde que o prometido, a banda adentra ao palco umas 19:45 e iniciam com a interessante O Sol Chegou do álbum novo “III” que com o baixo ritmado de Rodrigo, levou algumas pessoas a prestarem atenção ao que a banda estava tocando. Com Vamos pra Rua, música do segundo álbum que leva o mesmo nome, deixou ainda mais clara a grande influência que as bandas mais novas estão tendo com a grande explosão de bandas indies na Inglaterra. A influência clara de bandas como Artic Monkeys, Kasabian, Franz Ferdinand, Travis, Kaiser Chiefs e outras. O vocal e guitarrista Teago não perde tempo e logo começa com a seguinte música de seu setlist – Espelho do Banheiro, do segundo álbum Vamos Pra Rua. Com Invejosa, música do álbum novo III, percebo que há diversas pessoas prestando muita atenção ao show e até cantarolando junto. A banda ainda tocou Serena Noche – do álbum novo III, Beleza de Você do álbum Vamos Pra Rua e encerraram o show com Dança Diferente e Mantra, sendo ovacionados pelo público que já ansiosamente esperava pela apresentação do Muse. Penso que o trio fez uma ótima apresentação, mas acredito que teria sido melhor recepcionado se tivesse tocado com o Los Hermanos – banda que os influenciou fortemente também.
O Muse entrou no palco uma hora depois. Ás 21:00 aproximadamente as luzes se apagam e Matthew Bellamy (vocal /guitarra), Christopher Wostenholme (baixo) e Dominic Howard (bateria) adentram ao palco com Psycho, uma das músicas mais contagiantes do álbum novo Drones (2015) emendando logo com Reapers, também do álbum novo. Com Plug In Baby, do álbum Origin of Symmetry (2001) a banda já lança o primeiro clássico para o deleite dos fãs, que a recebe com muito vigor -  com gritos e celulares em punho, registrando assim cada minuto. Com The Handler, do álbum Drones (2015), Christopher logo precisa mostrar a que veio, pois é uma música que precisa e muito do preenchimento com o baixo – a bateria de Dominic em muitos momentos faz apenas o básico e na maioria das vezes é complementada pelos efeitos de samplers. Com The 2nd Law: Unsustainable, do álbum The 2nd Law (2012), isto fica ainda mais evidente. Com Dead Inside, a poderosa música que abre o novo álbum Drones, me pareceu um pouco diferente ao vivo. Tive a impressão de que um dos samplers de Dominic deixaram de funcionar em algum momento – mas nada parecido com a última apresentação no Lollapalooza em 2014. A voz de Bellamy, impecável, mostra todo o seu potencial com Resistance, do álbum  The Resistance (2009) – um dos momentos em que sua voz é mais necessitada.
Nota-se a clara inspiração de Muse em Queen em diversos momentos, principalmente no refrão desta música – um dos momentos mais incríveis da noite. Com Muscle Museum do álbum Showbiz (1999) a banda volta aos anos 90 com classe e emenda com Citizen Erased, do álbum Origin of Symmetry (2001) entrando num momento peculiar de introversão no show, com Bellamy e sua guitarra e Dominic interpretando um dos momentos mais intensos do show. A banda logo emenda com Muscle Museum, o único solo de Dominic e Christopher juntos no show inteiro – sem Bellamy no palco. Com Madness, do álbum 2nd Law (2012), a banda se junta novamente para uma das melhores músicas de seu repertório e emendam com Supermassive Black Hole, clássico do petardo Black Holes and Revelations (2006) - momento em que houve uma grande sinergia entre público e banda tornando-se o ponto alto do show. As dancinhas de Bellamy e Christopher naquele momento no palco eram simplesmente impagáveis, pois balançavam suas finas cinturas com muita dificuldade – diferente dos fãs brasileiros na platéia. O setlist seguiu com Time Is Running Out, do álbum Absolution (2002) que com o cronômetro no fundo do palco, demonstrava que estávamos próximos do fim do show, mas também indicava que a banda não deixava a empolgação do público esfriar.
Com Starlight, música do álbum Black Holes and Revelations (2006), fiquei impressionado como esta música é um tributo descarado para Queen – até a guitarra de Bellamy é configurada semelhante ao Brian May para esta música. Deixa ainda mais evidente que a banda sabe muito bem escolher seu setlist , sendo esta uma das melhores músicas de seu repertório e que também inclui uma das melhores combinações de samplers e instrumentos. A banda deixa o palco após tocar Uprising, do álbum The Resistance (2009) – com direito á enormes balões pretos, que ao serem estourados soltavam confete branco no público.  A banda retorna ao palco e toca Mercy, do álbum Drones (2015), um dos momentos mais celebrados pelos fãs.
Finalmente, com uma introdução incrível de Ennio Morricone por parte de Matthew Bellamy, a banda encerra seu show com Knights of Cydonia, do álbum Black Holes and Revelations (2006) uma das músicas mais legais dos britânicos, com explosões de confete e fitas brancas e vermelhas.Que maneira incrível de encerrar um show! Acho que a banda fez um dos melhores shows em São Paulo até a atual data, mas fico mais uma vez me questionando por que a banda não incluiu em seu setlist uma das melhores músicas de seu repertório - Supremacy, do álbum The 2nd Law. Espero que esta volte ao setlist quando a banda retornar ao Brasil numa próxima oportunidade.

Fotos: Edi Fortini

sexta-feira, outubro 16, 2015

A-ha traz a turnê Cast In Steel para São Paulo no Espaço das Américas

Banda veio á São Paulo e faz revival de seus grandes clássicos com pouca atenção ao seu novo lançamento Cast In Steel


A banda norueguesa A-ha volta á cidade da garoa depois de se despedir de seu público em 2010 e trouxe na sua bagagem o novo álbum Cast In Steel – um álbum muito bem recebido pelo público e crítica. O show começou ás 22:15 e a banda foi recebida por um público sedento pelos clássicos. Era exatamente isto que a banda, formada por Magne Furuholmen (teclado), Morten Harket (vocais) e Paul Waaktaar-Savoy (guitarra) tinham em mente. A banda começou seu show com a música Cast in Steel, do álbum novo que leva o mesmo nome e emendou com a bela I’ve Been Losing You do álbum Scoundrel Days (1986). Mais adiante entraria o também hit oitentista Cry Wolf.
 Estava desenhada pelo A-ha uma curva crescente de emoção que logo arrebentaria em Move to Memphis do álbum Memorial Beach (1993) e Mythomania, do álbum Cast In Steel (2015), muito bem recebidas pelo público. Dali em frente, foi apenas questão de os seis músicos envolvidos (guitarra, baixo, bateria e um par de teclados) manterem a empatia conquistada. Morten um tanto tímido, se mostrava um tanto distante do restante dos integrantes, até Magne começar a conversar com o público e interagir com ele. Parece que Morten precisa de um empurrão para se soltar um pouco junto com Paul. Com Stay on these Roads a banda realmente engatou com os clássicos, sendo este do notório Stay on These Roads (1988) que desesperou algumas garotas que atrás de mim estavam. Gritavam desesperadamente atrapalhando e muito o clima da música.
Falando no público, era uma platéia majoritariamente nos trinta e quarenta anos vestindo camisetas aleatórias de Simply Red a Kiss e Iron Maiden, inflitrado por centenas de novinhos, de Budweiser à mão, que só devem conhecer The Living Daylights das vitrolas maternas. A banda continuou seu setlist com Scoundrel Days e Soft Rains of April ambas do álbum Scoundrel Days (1986) – interessante é que a banda não se distanciou muito do setlist de despedida em 2010 quando continuaram o setlist com o megahit Crying in the Rain do álbum East of the Sun, West of the Moon onde alguns mais exaltados gritavam algo sobre lamber as lágrimas de Morten Harket – detalhe, com a namorada do lado. Curioso é que esta música foi também gravada por uma de minhas bandas favoritas, o Everly Brothers – um dos pontos altos do show. A poderosa We’re Looking for the Whales e Swing of Things, ambas do álbum Scoundrel Days (1986) deram seqüência ao momento tecnopop romântico e trouxeram ainda mais exaltação ao público, muito participativo. Uma das surpresas foi a inclusão da música Foot of the Mountain, do álbum homônimo de 2009 que cá entre nós traz uma linha de teclados meio synthpop incríveis e absurdamente contagiosas. Via-se muitas pessoas dançando entre o público.
Mais dançante do que esta, somente You Are the One, do álbum Stay on These Roads (1988) que levou o Espaço das Américas ao delírio com o ótimo acompanhamento do sintetizador, que substituem o som das trumpetes – clássico dos anos 80. Deram seqüência ao show com Sycamore Leaves, do álbum East of the Sun, West of the Moon e deixaram o palco com o sucesso Hunting High and Low, do álbum Hunting High and Low (1985) – um karaokê coletivo ocorreu neste momento e a sensualidade foi aflorada com o ritmo meio bossa nova que a música possui. A banda sai do palco para voltar para o bis com The Sun Always Shines on TV com imagens de São Paulo no telão no fundo do palco. Achei muito legal que a banda se preocupou com este detalhe, pois deixaram claro que sabiam que São Paulo era famosa por ser a cidade da garoa. Seguiram o setlist com a nova Under the Makeup, do Cast in Steel e preciso admitir que prefiro a versão do álbum – a banda inventou uma versão diferente da música e a interpretaram num estilo mais acústico. Na minha opinião seria mais válido se tivessem a divulgado como ela é originalmente. Deixaram o palco pela segunda vez com o clássico já mencionado nesta resenha, The Living Daylights do álbum Stay on These Roads (1988) que contou com Morten Harket descendo do palco para cumprimentar os fãs que estavam na grade, próximas ao palco.
A banda deixa o palco e sobre o gritos do público, o A-ha retorna o palco para tocar justamente a música que faltava, Take On Me, clássico do álbum Hunting High and Low (1985). Neste momento a grande maioria do público escolheu dançar e deixar a boa energia da música entrar em seus corpos. Que momento de sinergia incrível! Após finalizar a música a banda se despede do público e deixa um gosto meio de “quero mais” na boa da maioria dos fãs. Penso que poderiam ter tocado mais de suas músicas mais recentes, como dos álbuns Lifelines, Analogue e Minor Earth, Major Sky – quem sabe da próxima vez quando eles vierem para São Paulo. Um grande show, que demonstrou que a vibração dos anos 80 ainda está mais viva do que nunca!

quinta-feira, outubro 15, 2015

Blind Guardian e Público realizam um dos shows do ano no Tom Brasil

Alemães retornaram ao Brasil divulgando seu mais novo álbum Beyond the Red MIrror

Hansi Kürsch


Os alemães do Blind Guardian voltaram á São Paulo e trouxeram em sua bagagem nada mais nada menos que seu último e décimo álbum de estúdio chamado Beyond the Red Mirror. Um álbum conceitual que traz a seqüência para o álbum mais bem sucedido da banda, o Imaginations From the Other Side (1995). A expectativa dos fãs era imensa até as luzes se apagarem no Tom Brasil (ex-HSBC Hall) e a banda pisar no palco para iniciar seu show com a poderosa The Ninth Wave, música retirada do álbum novo. Com um Hansi Kürsch comunicativo e que se movimentava muito no palco, a banda logo emenda o primeiro clássico da noite com Banish from Sanctuary do álbum Follow the Blind (1989) – impressionante como a adição de Barend Curbois (baixo) e Michael Schüren (teclados) engrandeceu o poder musical da banda, já que a versão de estúdio da música não chega nem perto de tantos detalhes.
Michael Schüren
Acredito que a opção de Hansi Kürsch de ter se concentrado somente em sua voz, a opção mais correta para a banda. O que achei estranho, no entanto, é não colocarem Curbois ao lado dos guitarristas André Olbrich e Marcus Siepen e sim, colocaram o baixista ao lado da bateria, ao lado do novo dono das baquetas Frederik Ehmke.
Barend Curbois

Após um breve boa noite, Hansi pergunta aos fãs se eles preferem o setlist longo ou o curto, obviamente com o público respondendo em uníssono que o setlist longo era a opção. Hansi, satisfeito, continuou o setlist da noite com a poderosa Nightfall do encantador álbum Nightfall in Middle Earth (1998) que cá entre nós, é uma das maiores obras musicais da história do Power Metal – o público naquele instante cantava junto cada trecho da música. A banda continuou o show com Fly do álbum A Twist in the Myth (2006) e introduziu Tanelorn (Into the Void) do grandioso At the Edge of Time (2010) contando a história da cidade de Tanelorn ou Cidade Eterna, que no multiverso de Michael Moorcock se encontra em todos os multiversos ao mesmo tempo, podendo ela sumir e aparecer quando quiser. Com um som incrível a banda percorreu a música com o público na palma da mão. Com a apresentação de Prophecies, do álbum novo Beyond the Red MIrror, a música foi recebida como clássico que contou com solos incríveis de Marcus e André. Com a incrível The Last Candle do álbum Tales from the Twilight World (1998), o Blind Guardian se mostra até mais pesado com Ehmke nas baquetas.
André Olbrich
Logo depois Hansi introduzia Miracle Machine do álbum novo Beyond the Red Mirror e anunciava que esta era inédita para a turnê da América do Sul e especial para o público de São Paulo. Mas uma das mais ovacionadas da noite foi o grande clássico Lord of the Rings do álbum Tales from the Twilight World (1990) com o carismático vocalista introduzindo ela como sendo a história de um Hobbit e seu anel misterioso e Mordor – levando o público ao delírio – destaque para a grande interpretação acústica de Siepen e Olbrich. Kürsch e sua incrível interpretação vocal engrandeceu ainda mais o clima juntamente com os teclados de Schüren – um dos pontos altos da noite. Com Time Stands Still (at the Iron Hill) do álbum Nightfall in Middle-Earth (1998) a banda mostra seu grande poder explosivo com uma das músicas mais poderosas de sua carreira – tudo interpretado com precisão pelo sexteto. Mas antes de deixarem o palco para o bis, os alemães seguiram o set com duas das melhores músicas do incrível Imaginations From the Other Side (1995) a clássica I’m Alive e a que leva o nome do álbum Imaginations From the Other Side para o deleite dos fãs – o melhor, o show ainda não havia terminado.
Marcus Siepen
Apesar do intervalo, a banda retorna para o palco para continuar o setlist com Wheel of Time do álbum At the Edge of Time (2010), Twilight of the Gods do álbum novo Beyond the Red Mirror e a clássica Valhalla do álbum Follow the Blind (1989) que mais uma vez contou com a participação incrível do público no refrão. Impressionante como o público presente em nenhum momento parou de cantar ou participar das músicas, um show a parte. A banda sai do palco novamente com gritos por parte do público para tocarem Majesty, do álbum Battalions of Fear (1988) – e é o que a banda faz ao voltar para o palco pela segunda vez. Ao anunciar a seguinte, The Script For My Requiem, do álbum Imaginations From the Other Side (1995) um arrepio era seguido por pura emoção, afinal, é uma das músicas mais queridas por parte dos fãs. Mas nada foi tão intenso como o momento em que a banda anuncia The Bard´s Song – In the Forest do álbum Somewhere far Beyond (1992). Com um violão cada, André e Marcus levaram o público a cantar o clássico quase sozinho – certamente o ponto alto da noite.
Frederik Ehmke
Há tempos não via um momento tão intenso de troca de energia entre banda/público. Os alemães emendaram o momento mágico com Mirror Mirror do incrível Nightfall in Middle-Earth (1998) e encerraram o show com a cover para o clássico do The Regents, Barbara Ann, que originalmente foi lançada no álbum Follow the Blind e até hoje é uma das músicas covers, mais pedidas pelos fãs. Um show feito por uma banda com mais de 30 anos de experiência, que sabe e conhece muito bem o público que tem e sempre os trata com muito carinho e respeito. Esta troca de energias só poderia resultar num dos momentos mais mágicos entre banda/público do ano! Incrível!

Crédito Fotos Edi Fortini

quarta-feira, outubro 14, 2015

Fear Factory retornou á São Paulo e proporcionou viagem aos anos 90

Marrero, a banda de abertura, faz ótimo show mas seu stoner rock ficou um pouco perdido para um público sedento por metal industrial.


Quando foi divulgado amplamente na imprensa de que o Fear Factory tocaria o Demanufacture inteiro, fiquei um pouco receoso, afinal, há 20 anos este petardo foi lançado no Mundo como uma pedrada na cara dos fãs mais mente fechada dentro do segmento heavy metal. Este grande álbum foi um impacto tão grande no mercado, que aqueceu ao máximo o mercado do metal industrial, causando um impacto estrondoso na mídia e no mercado nos anos 90. Iniciava-se um novo nicho de mercado por causa deste álbum. Nem Rhys Fulber (grande fã de Led Zeppelin e Kraftwerk), responsável pela produção do álbum e produtor de bandas como Frontline Assembly, imaginou que bandas como Paradise Lost (Symbol of Life, In Requiem) e Nailbomb (Proud To Commit Commercial Suicide) procurariam mais tarde seus serviços por causa deste grande álbum. Será que teria o mesmo impacto sobre o público 20 anos depois? Esta era a minha pergunta da noite. Mas antes de saber a resposta, ficaríamos com a banda de abertura Marrero e seu stoner metal. A banda, que nasceu através do vocalista e baixista Voodoo Shyne – que juntou seus amigos Estevan Sinkovitz (guitarrista), Anderson Kratsch (voz) e Felipe Maia (bateria) – deixou a banda e os remanescentes decidiram continuar como um trio. Com músicas como Pense Por Dois, Au e Aquele Mesmo Lance a banda mostrou uma interessante solução para a ausência do baixo, já que Estevan faz sua guitarra soar como se um baixo estivesse acoplado ao seu instrumento. Muito interessante. A simplicidade do som faz a voz grave de Anderson destacar trazendo um efeito muito legal á banda. Achei ousado por parte da banda abrir para o Fear Factory, já que o som de Marrero, mal tinha algo haver com a música dos norte-americanos – o público no entanto aplaudiu e respeitou muito a banda durante o show.  Com a saída da banda Marrero do palco, já se via um público ansioso.  Quando Burton C.Bell, Dino Cazares, Mike Hellner e Tony Campos pisam no palco, uma viagem no tempo aconteceu logo com a pedrada Demanufacture e os riffs pegados de Dino Cazares – sem contar que os vocais de Burton C.Bell estão impecáveis. Rodas eram abertas no público para o delírio da banda, que se empolgou junto com os fãs. Sem muita cerimônia a banda continuou com Self Bias Resistor e Zero Signal, músicas que foram recepcionadas com stage diving e mosh pit. A cozinha Tony Campos e Mike Hellner estava afinadíssima e máquina de “guitar shredding” Dino Cazares, estava muito bem! O quarteto não fez muita cerimônia e seguiu a pedrada com o clássico Replica e a absurdamente contagiante New Breed. Destaque para Burton C.Bell que o tempo todo interagia com o público e pouco se incomodava com os milhares de flashes de câmera que insistiam em persistir durante o show inteiro mesmo com um nível tão intenso de agito por parte do público. Seguiu o show anunciando Dog Day Sunrise e logo emendaram com a minha preferida do álbum: Body Hammer! Que som incrível é este! Ninguém ficou parado quando esta foi tocada. A banda continuou  com Flashpoint, H-K (Hunter-Killer), Pisschrist e finalizou o álbum Demanufacture com A Therapy for Pain. Para quem estava extasiado e ainda com pernas bambas por causa das rodas de mosh, mal imaginavam que Fear Factory ainda não havia terminado seu set. A banda deixou o palco por cinco minutos mas voltou para o bis. Com a grandiosa Shock e a incrível Edgecrusher, ambas do álbum Obsolete (1998) Fear Factory mostra que veio para pôr a Clash Club abaiixo. Com Dielectric, Burton C.Bell se permite juntamente com Dino Cazares, Mike Hellner e Tony Campos, tocar uma música do álbum novo, Genexus (2015) – muito bom por sinal. O quarteto ainda toca Archetype, do álbum Archetype (2004) e encerra o show com Martyr, que conforme Burton C.Bell foi a primeira música composta para o Fear Factory para o  grandioso álbum Soul of a New Machine (1992). Um grande show, que demonstrou que o Fear Factory ainda desperta o mesmo sentimento nos fãs atuais, o que despertava nos anos 90. E sinceramente, mesmo com o álbum novo Genexus, tem como não despertar? Bravo!

sexta-feira, outubro 09, 2015

O Mestre da Flauta Transversal e sua Ópera Rock

Ian Anderson trouxe Jethro Tull repaginado para Ópera Rock no Teatro Bradesco


O mentor da banda de rock progressivo Jethro Tull, Ian Anderson, retorna ao Brasil, para promover seu mais novo desafio, uma Ópera Rock chamada Jethro Tull. Ian Anderson quis com este novo tento celebrar a vida e tempos de um agrônomo e inventor inglês fictício chamado Jethro Tull e foi ilustrada com as músicas mais conhecidas de Anderson e do repertório da banda Jethro Tull. A banda que acompanhou Ian desta vez no luxuoso Teatro Bradesco, dentro do Shopping Bourbon em São Paulo, foi David Goodier (baixo), John O’Hara (teclados), Florian Opahle (guitarra) e Scott Hammond (bateria), contando com cantores virtuais que apareciam para cantar trechos de músicas em alguns momentos no telão. Para ilustrar toda esta história, Ian Anderson se utilizou de filmagens feitas em fazendas, cidades européias e laboratórios – sem contar com interessantes momentos em que a realidade se encontrava com a música com recortes de noticiários de TV. A banda logo inicia seu show com um grande clássico, a poderosa Heavy Horses, retirada do álbum com mesmo nome de 1978. Com a nova roupagem, Anderson quis atualizar sua música utilizando cantores incríveis que retratavam camponeses no telão de fundo. Já na primeira música, percebia-se que o evento era totalmente diferente do que a maioria havia imaginado. Logo o público era surpreendido com  Wind-Up e o estrondoso clássico Aqualung ambas do poderoso clássico álbum Aqualung (1971) que fez a maioria dos fãs se emocionarem muito com a nova versão – mais curta que a original, retratando no telão a sociedade em qual o personagem se encontra. Com Ian trocando momentos de voz com o cantor no telão, a música fluía como magia.
Sua flauta transversal não a havia perdido. Mas o interessante da noite ainda não havia começado, pois Anderson havia guardado pérolas como With You There to Help Me do álbum Benefit (1970), Back to the Family do álbum Stand Up (1969) e Farm on the Freeway do álbum Crest of a Knave (1987), todas reformuladas para a surpresa dos fãs e contando com interpretações incríveis de seus competentes músicos, com destaque para Florian Ophale, que com maestria executava seus solos com muita competência. O flautista seguiu seu set com Prosperous Pasture, Fruits of Frankenfield e a clássica Songs from the Wood, do álbum com mesmo nome de 1977. Em Fruits of Frankenfield, referência ao Frankenstein da Mary Shelley, onde Ian fala de clonagem e engenharia genética. Houve também mudança na letra de Songs form the Wood, ("Let me bring you songs from the wood / to make you feel much better than you could know") virou "Let me bring you songs from the wood / poppies red and roses filled with summer rain".A banda deixa o palco para um intervalo de quinze minutos com um Ian Anderson deixando a mensagem no telão. A banda retorna pontualmente e retoma o show com And the World Feeds Me, logo emendando mais um clássico com Living in the Past, levando os fãs à loucura. A banda segue seu set com Jack-In-The-Green do álbum Songs from the Wood e The Witch’s Promise do álbum Living in the Past, que trazia Ian Anderson mais jovem no telão tocando sua flauta transversal no fundo do palco. Weathercock, traz Ian com sua charmosa ukelele e interpreta uma das músicas mais emblemáticas do álbum Heavy Horses. Uma nova música veio logo depois, com Stick, Twist, Bust com destaque para a interpretação do tecladista John O’Hara.
Cheap Day Return veio logo depois para representar mais uma vez o clássico Aqualung junto a A New Day Yesterday do álbum Stand Up (1969) que marca a banda deixando o palco para entrar novamente logo depois par ao bis a nova The Turnstile Gate e a clássica Locomotive Breath do álbum Aqualung – mais uma vez com Ian Anderson demonstrando toda a sua competência com a flauta transversal. A banda deixa o palco para retornar para um segundo bis com Requiem and Fugue que na verdade são duas músicas combinadas de Ministrel in the Gallery (1975) e Fugue de Johann Sebastian Bach. Assim a banda encerrou seu grande show. Um grande espetáculo que provou mais uma vez que os grandes clássicos podem ser sim re-adaptados e mesmo assim ainda continuam sendo grandes e eternos.

terça-feira, outubro 06, 2015

REVIEW CD DA SEMANA

MAD DRAGZTER
Master of Space and Time (2015)

Há quase dez anos parado, os paulistas do Mad Dragzter retornam á cena musical com seu mais novo álbum Master of Space and Time com fôlego renovado. Com dedilhados de guitarra incríveis de Gabriel Spazziani e Tiago Torres, a banda retorna a sua melhor forma com músicas muito bem trabalhadas como a excelente Almighty e a pedrada Valley of Dry Bones. O trabalho do baterista Eric Claros nas faixas mais complexas, como a interessante 5708 trouxe um ar renovado ao Thrash Metal com uma visão menos direta da bateria como normalmente é imaginado no estilo. Na ótima composição Meggido, a cozinha Armando Benedetti e Eric Claros funciona em perfeita harmonia com as guitarras trazendo o que há de melhor do thrash metal brasileiro. Este Master of Space and Time demonstra um Mad Dragzter voltando a sua boa forma, com um trabalho sólido e muito criativo. Ouça sem medo!


MAD DRAGZTER
Master of Space and Time (2015)

After spending almost ten years on a hold, the band Mad Dragzter from Sâo Paulo, Brasil, come back with their new record Master of Space and Time with new breath and a lot of riffs. With great guitar solos and riffs from the guitar players Gabriel Spazziani and Tiago Torres, the band goes back to their best form with very good songs, like Almighty and the straight forward Valley of Dry Bones. The work on the drumkit performed by Eric Claros is highly complex like the interesting track 5708, that in my opinion brings a new breath to the thrash metal style. The very good vibe between the bassist Armando Benedetti and Eric Claros can be heard in perfect harmony with the guitars on Megiddo, one of the best songs the brazilian thrash metal can provide. Master of Space and Time shows how Mad Dragzter was only a beast in a deep sleep and now it hás awaken more agressive than ever with great riffs and good songs. Listen to it and get dragged into it with no fear!

segunda-feira, outubro 05, 2015

Teatro Mars vira palco para encontro Gótico

Moonspell traz repertório cheio de clássicos para São Paulo e promove seu mais novo álbum Extinct


Mais um show herdado do nosso querido festival de música carioca Rock In Rio e foi realizado num local que, porém centralizado, é de difícil acesso e absurdamente pequeno. Moonspell, que vem ao Brasil divulgando seu mais novo petardo Extinct (2015) se apresentou no Teatro Mars em plena segunda-feira para no máximo 200 pessoas. Mesmo assim, foi  uma das apresentações mais convincentes dos lusitanos em solo brasileiro. O show começou ás 21:15 da noite com Breathe (until We Are No More) e Extinct, ambas do novo álbum Extinct – um dos álbuns mais ousados após o polêmico Butterfly Effect pois possui uma abordagem que se aproxima ainda mais de influências como Sisters of Mercy e Fields of Niphilim. 
Com saudações em português, Fernando Ribeiro se diz feliz em estar de volta á São Paulo enquanto Mike Gaspar, Pedro Paixão, Ricardo Amorim e Aires Pereira se preparavam para um dos clássicos da noite, Finisterra, do grandioso álbum Memorial (2006). Um dos momentos mais incríveis da noite pois a voz de Fernando estava impecável, sem contar com a grande performance nas baquetas de Mike Gaspar com sua bateria que contava com chifres de bode que contornavam seu bumbo. A banda seguiu com a incrível Night Eternal do álbum que leva o mesmo nome e ao mencionar o lindo Irreligious (1996) todos já sabiam que Opium era a próxima, levando aquele teatrinho abaixo com um dos melhores riffs de Ricardo Amorim – simplesmente genial. A banda não podia deixar de emendar com Awake! – música seguinte de Opium no álbum Irreligious e traz um clima incrível com os teclados deliciosos de Pedro Paixão, um dos principais compositores da banda. Fernando, sempre citando poesias, cita letras de ...of Dream and Drama (Midnight Ride) do álbum Wolfheart (1995) levando os fãs a cantar junto. 
Fernando logo depois introduz Last of Us, mais uma do álbum novo Extinct, que traz um Moonspell mais dançante, muito mais próximo ao Sisters Of Mercy do que em álbuns anteriores. Ao vivo, a música ganha em poder e se torna numa das melhores músicas do Moonspell hoje. Em Medusalem, também do álbum Extinct, Ricardo Amorim estavam tão empolgado com a música e com o público que pulava com seu instrumento, agitando muito – isto se refletia também nos amplificadores, que se moviam junto com a movimentação do músico no palco. Um dos momentos mais performáticos da noite ficou para Nocturna, música do belíssimo Darkness and Hope e a incrível Scorpion Flower – esta última cantada com auxílio da convidada Naiça Bowen que acompanhou Fernando Ribeiro muito bem. Vale ressaltar que é uma tarefa árdua superar a versão do álbum com Anneke van Giersbergen (ex-Gathering, atual The Gentle Storm e Aqua de Annique) colaborando nos vocais. Com agradecimentos á Dewindson Wolfheart, vocal e mentor da banda Ravenland, Hoana despediu-se da platéia com louvor. 
O show continuou com Em Nome do Medo, uma das poucas letras compostas por Fernando para o Moonspell em português e ainda emendou quatro músicas do grande Wolfheart sendo elas Vampiria a sensual An Erotic Alchemy, a incrível Ataegina deixando o palco após o clássico absoluto da banda - Alma Mater. A banda ainda retornou para o bis com a ótima Everything Invaded, do álbum The Antidote, a melancólica The Future is Dark, do álbum Extinct e encerrou o show com uivos da platéia com Full Moon Madness, do álbum Irreligious – um momento incrível da noite. Um show memorável dos nossos irmãos portugueses em solo brasileiro. 

Fotos por Edi Fortini

sexta-feira, outubro 02, 2015

São Pedro frustra fãs de Mastodon na Arena Anhembi

Slipknot faz show memorável tendo como banda de abertura os azarados do Mastodon

Pano de Fundo Mastodon

Com o advento do Monsters of Rock do ano passado, não imaginava que veria Slipknot passar pelo Brasil tão cedo. Mas como o futuro só a Deus pertence, a banda retorna ao Brasil um ano depois escalado para tocar no Rock in Rio. Aproveitando a deixa, os americanos do Slipknot não poderiam deixar de visitar os fãs mais ávidos da banda no Brasil, os paulistas. O mais interessante, no entanto, é a banda trazer os seus compatriotas do Mastodon para abrir seus shows na América Latina. Já com fama estabelecida na Europa e nos Estados Unidos, os americanos oriundos de Atlanta, especificamente da Geórgia, aterrissam em solo tupiniquim pela primeira vez. Com uma Arena Anhembi lotada, a banda traz a sua mescla de metal progressivo, hard rock, sludge e até hardcore para um público curioso, pois o show deles no Rock in Rio foi simplesmente impecável. Infelizmente havia São Pedro novamente, que insistia em querer fazer parte dos shows do fim de semana. 
Troy Sanders - baixista do Mastodon
Brann Dailor, Brent Hinds, Bill Kelliher e Troy Sanders sobem no palco e iniciam os trabalhos divulgando seu mais recente álbum, Once More ‘Round the Sun (2014) com Tread Lightly, que possui uma pegada meio folk no início para explodir num heavy metal empolgante. Troy Sanders, que liderava os vocais naquele momento, se impressionava com a recepção do público que surpreendentemente agitava e muito com a música. A banda não demorou em emendar Once More ‘Round the Sun desta vez com Brent nos vocais. Não tardou para começar a chover e após Blasteroid, do álbum The Hunter (2011) um riacho caía do céu molhando á todos, inclusive a banda. O quarteto ainda tentou aquecer o público com The Motherload, Chimes at Midnight e a grandiosa High Road, esta última cantada pelo baterista Brann Dailor para perceberem que a chuva não parava e começava a molhar retornos e equipamentos. Logo a produção interveio e pediu que a banda terminasse seu show. A sensação de frustração era grande para o a banda ter que deixar o palco e para o público que foi abandonado após Aqua Dementia do também elogiado Leviathan (2004).
#8 (Corey Taylor) - vocalista Slipknot
Interessante é que o aguaceiro termina logo na apresentação do Slipknot – para a alegria dos fãs. Com uma montagem de palco incrível, a banda contava com uma espécie de pista de desfilar, acompanhada por luzes e no final dela um espelho onde logo acima dele havia uma cabeça de porco (?) pendurada que acendia os olhos! Com direito a dupla introdução -  Running With the Devil do Van Halen e XIX, todos os integrantes entram em cena para começarem o show com, apenas Corey Taylor, entrar cantando depois com a música Sarcastrophe estas últimas do recente trabalho da banda .5: The Grey Chapter. Com o público agitando muito com as fortes labaredas de fogo fátuo vindas do palco, a banda emendou com The Heretic Anthem, uma das músicas mais fortes do pesadíssimo Iowa (2006) – o impacto visual fica para as cabeças de bode nos tambores que subiam e desciam do lado direito e esquerdo do palco com os malucos do #3 e o famoso palhaço, o #6. Para não deixar a bola cair, Corey Taylor logo emenda anunciando Psychosocial, um dos grandes clássicos da banda do bom All Hope Is Gone (2009) – com muitos elogios e “Muito Obrigado”, Corey Taylor diz que este era um dos momentos mais incríveis, estar junto de seus fãs seguindo o show com a mais lenta The Devil in I – um dos momentos em que Corey Taylor realmente mostra seu potencial de cantor. 
#4 (James Root) - guitarrista Slipknot
A terceira marcha é apenas engatada com a incrível AOV – na minha opinião a melhor música do .5:The Grey Chapter – mistura a violência musical de Slipknot com o grande talento vocal de Corey Taylor. Um dos momentos em que banda ensaia uma pegada mais thrash metal em seu estilo. As rodas agradeciam naquele momento. A calmaria se aproximou com a Vermilion, do bom Subliminal Verses (2004) com destaque para o ótimo trabalho de guitarra do #7 ou Mick Thompson se preferirem. Era o momento de um clássico da banda, Wait and Bleed, onde a pegada mais nu-metal fica mais evidente com a clara participação do DJ Sid Wilson, ou #0. Enquanto isso Jay Weinberg, o novo baterista, fazia um ótimo trabalho substituindo Joey Jordison, o eterno #1, que deixou a banda no ano passado. Alessandro Venturella vem substituindo Paul Gray, falecido em 2010 nos shows ao vivo e vem fazendo um bom trabalho no baixo. Os samplers entram em ação com o #5 (Craig Jones) e era a hora de Killpop uma das músicas menos cadenciadas do álbum novo – interessante que são exatamente estas que destacam e muito o conjunto, o trabalho da banda como um todo.Ouve-se exatamente a participação de cada integrante. O agito começa novamente com a pesadíssima Before I Forget do bom Subliminal Verses e Sulfur que contou com rodas imensas do público. O grande hit para rádio, Duality do álbum Subliminal Verses também não foi esquecido – os mascarados em seus grandes tambores batiam com vontade enquanto o DJ sapateava pelo palco em seus momentos de “intervalo”. 
#7 (Micke Thompson) - guitarrista Slipknot
Com Disasterpiece, a banda volta a criar o caos nas rodas que se criavam entre os fãs, em um dado momento, na música Spit it Out, Corey Taylor pára o show e pede para que os fãs fiquem agachados – já é tradicional nos shows do Slipknot – e faz as pessoas pularem para cima. Acho empolgante este tipo de interação com os fãs e termina a seleção com Custer – uma das músicas mais insanas de seu set. A banda ainda volta para o bis com (sic), People=Shit e Surfacing, encerrando a noite do terror com chave de ouro. Um show empolgante que satisfez os fãs tocando músicas de sua discografia inteira. [MF]

Crédito Fotos : Edi Fortini (https://www.flickr.com/photos/efortini/)

quarta-feira, setembro 30, 2015

Nightwish e seu metal sinfônico retorna a São Paulo

Agora com Floor Jansen nos vocais, Nightwish retorna em sua melhor formação desde a saída de Tarja Turunen


A banda mais famosa da Finlândia, com mais de sete milhões de CD´s e DVD´s ao redor do Mundo conforme dados recentes da indústria fonográfica finlandesa, volta ao Brasil com sua nova vocalista, Floor Jansen, ex-After Forever e atual Revamp e o multi-instrumentista Troy Donockley e estrearam no Brasil no palco Sunset do Rock in Rio. Grandes ao redor do Mundo todo, não era novidade para os finlandeses “domar” um grande público, pois estão acostumados com eventos de até maior porte como o Wacken Open Air, Rock Hard Festival e tantos outros que ocorrem anualmente na Europa. Aproveitaram para dar um alô ao seu público fiel paulista e fizeram um alvoroço no antigo HSBC Hall, atual Tom Brasil lá na região de Santo Amaro, na cidade de São Paulo. Ás 22:00 a banda começa sua apresentação com a grandiosa introdução cinemática Roll Tide de Hans Zimmer. Com o público ainda ovacionando a entrada da banda, os finlandeses começam o setlist divulgando seu mais recente álbum Endless Forms Most Beautiful com Shudder Before the Beautiful e Yours Is na Empty Hope com uma Floor Jansen carismática e absurdamente fotogênica. Com um gogó de arrepiar, ela com facilidade faz o que quer com sua voz exuberante acompanhada pelos não menos competentes Marco Hietala (baixo), Tuomas Holopainen (teclados), Emppu Vuorinen (bateria) e Troy Donockley (flautas, gaita irlandesa). Com Ever Dream, única música lembrada do Century Child (2002) já demonstra que a garota não tem problema algum em atingir notas que apenas Tarja Turunen, ex-vocalista da banda, conseguia alcançar. Os finlandeses continuaram percorrendo sua discografia com músicas do Dark Passion Play (2007) com The Islander, que contou com Marco Hietala e sua excelente voz tocando solo, agora com um baixo de dois braços, o início desta bela canção. É inegável o talento de Marco no baixo, pois também lidera sua própria banda, o Tarot. Mas o ponto alto do show não havia chego. O álbum Imaginaerum (2001) que possui músicas lindas como a grandiosa Storytime foi lembrada logo após os lobos uivarem com 7 Days to the Wolves, que só de me lembrar me faz arrepiar todo com a pomposidade dos teclados de Tuomas e peso da guitarra de Emppu. O peso e a soberania sinfonia não parou por aí e continuou com a grandiosa I Want My Tears Back do já mencionado Imaginaerum que desta vez contou com a majestosa gaita irlandesa, que Donockley tocava com muito orgulho e competência. Era o momento que todos os fãs esperavam – a execução do clássico que reina soberano – “Wishmaster” do álbum com o mesmo nome de 2000. A platéia se exaltou de tal forma, que Floor, mesmo com o som ensurdecedor dos alto-falantes, teve que se virar também com as vozes do público, que cantava junto sem cerimônia. Os clássicos do Oceanborn também foram lembrados com o pano de fundo do palco homenageando a bela capa em um dos diversos ápices do show com Stargazers e Sleeping Sun – esta última uma das baladas mais lindas que já ouvi em minha vida e com uma performance de senhorita Jansen de tirar o fôlego. A banda encerrou seu show com a épica The Greatest Show On Earth, de seu novo álbum Endless Forms Most Beautiful, a absurdamente empolgante Ghost Love Score e única do álbum Once (2004) no set da noite. Um dos momentos mais lindos da noite e que demonstrou que Floor Jansen não só apenas tem competência suficiente de ser a cantora do Nightwish, como também é uma das melhores cantoras da atualidade. A cereja do bolo ficou para Last Ride of the Day do álbum Imaginaerum. É impressionante como um cara como Tuomas, que vem de uma cidade tão pequena da Finlândia, pode ter composto canções com tanto impacto e feito tanto impacto em mim e tantas outras pessoas como estas que lotavam o Tom Brasil. Simplesmente um dos melhores compositores de nosso pequeno planeta. Obrigado Tuomas e Nightwish por nos brindar com estas composições e claro, sempre sejam muito bem vindos com sua orquestra de magia e bom gosto musical. Quem não foi, perdeu. [MF] 

System of a Down traz chuva e alegria aos amantes da roda de pogo

Deftones, que abriu o show do System of a Down, trouxe setlist repleto de clássicos.

A banda Deftones é uma banda coringa no Mundo da música. Já aceitei isto há muito tempo. Abrindo para o System of a Down em São Paulo, numa Arena Anhembi lotada, Chino Moreno, Stephen Carpenter, Frank Delgado, Sergio Veja e Abe Cunningham sobem ao palco para mostrar mais de sua música intensa e cheia de erupções emocionais compostas quase por completo pelo multi-instrumentista Chino Moreno, regente da orquestra emocional. Sem lançar álbum desde 2012, a banda passou pelos álbuns que mais venderam em suas carreiras. Around the Fur (1997), White Pony (2000), Diamond Eyes (2010) e o ótimo Koi No Yokan (2012). Estes álbuns são muito diferentes e muito dependentes de fase em qual o Deftones se encontrava - navegando entre composições de nu-metal, hardcore e alternativo. Destaques ficaram para a fantástica Headup do fatídico álbum Around the Fur – que em sua versão de estúdio tem como convidado Max Cavalera nos vocais e Passanger do clássico White Pony (2000) que também tem em sua versão de estúdio como convidado o multi-facetado Maynard James Keenan do Tool e A Perfect Circle. Com chuva e muita animação do público para dissipar a água que caía sem parar, a banda se despediu para dar lugar a banda da noite, o System of a Down. Com apenas cinco álbuns no mercado, o SOAD demonstra que a união de Serj Tankian, Daron Malakian, Shavo Odadjian e John Dolmayan, nunca deveria ter sido interrompida. Tendo o Hypnotize (2005) como último lançamento, a banda subiu ao palco ás 23:30 da noite para esbanjar com sorrisos dos integrantes com a grande receptividade que suas músicas ainda possuem. Acho também muito difícil não agitar aos clássicos inegáveis que abriram o show como foram o caso de I-E-A-I-A-I-O, Suite-Pee, Attack e Prison Song – uma deixa para rodas começarem a abrir mesmo como a insistência de São Pedro em querer estragar a noite de pogo com sua chuva insistente. A banda também lembrou do álbum mais vendido de suas carreiras, o Toxicity – com Aerials, o público cantou com todo fôlego que ali podia se concebido. Foi simplesmente incrível testemunhar a grande festa que o público fazia a cada música que Tankian e sua trupe entoavam. Outro momento incrível foi o público pedindo ATWA e Shavo correspondendo imediatamente. “Esta é para vocês São Paulo” dizia o comunicativo Shavo e suas cinco cordas. ATWA, que na verdade significa “Air, Trees, Water, Animals” foi um termo utilizado por Charles Manson no início dos anos 70 e representa o sistema de suporte de vida do planeta Terra e foi utilizado por Charles Manson para denominar a força de vida e a oposição de tudo o que destrói o balanço ecológico da Terra. Outro ponto alto do show foi a utilização de Physical, clássico de Olivia Newton-John para introduzir Psycho – também do álbum Toxicity. É claro que a banda não esqueceu Mezmerize (2005) e Hypnotize (2005), álbuns que apesar de lançados no mesmo ano, são diferentes entre si. Cigaro e Vicinity of Obscenity são as que foram ovacionadas pela platéia logo depois. A banda terminou seu set com a fenomenal Toxicity e a tão aguardada Sugar, esta última teve seu vídeo na TV até pouco divulgado pois trazia violência pública, enforcamentos do Holocausto, exércitos e testes nucleares do filme alemão Metropolis de Fritz Lang – uma dica deste repórter, assista se puder pois é um dos expressionistas mais incríveis que já assisti. Um show que para muitos que estavam lá se sentiram aliviados de suas tensões. Memorável também para aqueles que tiveram que esperar até ás 4:40 da matina para o retorno operacional dos metrôs. [MF]

terça-feira, setembro 29, 2015

Faith No More traz o "Deus Sol" á "Cidade da Garoa"

Faith No More fez show no Espaço das Américas, em São Paulo, divulgando seu mais novo trabalho "Sol Invictus"

 

Após aquele fatídico show no SWU em 2011 em Paulínia, nunca imaginei que veria Faith No More novamente. Mas a banda se animou com aquela turnê de retorno e ainda fez mais do que imaginava, lançaram um álbum novo chamado Sol Invictus. Elevado a um patamar como um dos álbuns deste ano pela grande mídia especializada, o álbum traz ainda mais mescla de estilos ao que já era um emaranhado de influências musicais. Para complementar a ótima fase ainda brindaram os fãs como uma turnê ao redor do Mundo que veio à América do Sul para o fatídico Rock In Rio. Como não havia local o suficiente para todas os artistas se apresentaram simultaneamente no Rio e em São Paulo, apenas algumas vieram para a cidade da garoa – isto inclui o grande Faith No More, que se apresentou para um Espaço das Américas lotado. Um bom começo para o primeiro show da turnê latina da banda. Com diversos ramalhetes de flores no palco e todos vestidos de branco, Faith No More começa seu show com uma breve intro de Midnight Cowboy de John Berry para emendar com o primeiro palavrão da noite, ‘Motherfucker’ – música do álbum “Sol Invictus”. Com o tecladista Roddy Bottum puxando a fila nos vocais, Mike Patton entra por último no palco com o seu megafone vermelho. Billy Gould,Mike Bordin e Jon Hudson cantam acompanhando a Roddy no começo. O show realmente começa a pegar fogo com a grandiosa ‘Land of Sunshine’ do clássico “Angel Dust”. Impressionante a grande interação da banda com o público. Não era somente Mike Patton agitando, mas o guitarra Jon Hudson, era um dos empolgados agitando muito com o seu instrumento próximo dos fãs na grade da pista VIP da casa. Caffeine como no álbum Angel Dust era a pedrada seguinte. A performance vocal de Mike Patton, estava simplesmente impecável. Por falar em performance, o “performer” Mike Patton, foi bem leve com as suas explosões de emoção durante o show inteiro. Vimos no entanto, o restante da banda muito confortável com o público. Com muitos “Obrigado” e outras falas em espanhol, Mike Patton esbanjou simpatia e após a incrível ‘Everything’s Ruined’ engatou ‘Evidence’ do álbum “King for a Day Fool For A Lifetime” em português. Mas a banda deixou para o ápice da noite Epic – um dos grandes sucessos da banda mesclando com outra de seu mais novo álbum “Sol Invictus”, ‘Sunny Side Up’ – impressionante como as músicas do álbum recente combinam com os grandes clássicos. Claro que ‘Midlife Crisis’ não poderia ficar de lado, sendo uma das mais cantadas pelo público. Mike Patton retratou bem o momento com um ‘Sacanagem’...levando a platéia ás risadas. Com a intro ‘About that Bass’ de Megan Trainor, a banda continua com ‘Chinese Arithmetic’ e logo depois emenda com a grandiosa ‘The Gentle Art of Making Enemies’. ‘Easy’, cover do Lionel Ritchie/Commodores também foi aguardada e cantada em uníssono pela platéia presente. ‘Separation Anxiety’ e ‘Matador’, ambas do bom álbum “Sol Invictus” não foram tão bem recebidas como a grandiosa ‘Ashes to Ashes’ do fantástico “Album of the Year” – álbum que na minha modesta opinião poderia ter sido mais explorado neste bom setlist. ‘Superhero’, também do álbum novo, foi entoado pelos fãs com status de hit. A banda encerrou seu show com ‘The Crab Song’, ‘From Out of Nowhere’ e a morna ‘I Started a Joke’, cover do Bee Gees. Saí do show com a impressão de que poderiam ter tocado tantas outras músicas no lugar desta – mas enfim – isto faz do Faith No More o que é hoje – uma banda dos anos 90 que ainda está na ativa, compondo grandes músicas e fazendo grandes shows. Uma palavra para descrever a noite: Épico! [MF]
Leia esta e outras matérias na Revista Comando Rock

terça-feira, maio 19, 2015

Puddle of Mudd faz show para esquecer em São Paulo


Esta noite vai ficar marcada em minha vida como o pior show de uma banda americana em todos os tempos. Só não fiquei mais triste por um simples motivo: a banda de abertura. O Punkake, banda oriunda de Curitiba, do Paraná, fez um show de abertura de ficar orgulhoso de nossa cena alternativa. A banda, formada exclusivamente por garotas, usaram e abusaram de refrãos marcantes e distorções características dos anos 90 – pode-se usar grandioso L7 dos anos 90 como referência aqui misturado com Gossip (banda indie americana que tem como Beth Ditto como frontwoman).  Com Bacabi (vocal), Lívia (guitarra), Lucy Peart (bateria) e Ingrid (baixo) o Punkake me deixou perplexo com o entrosamento das integrantes. Brincando com o público, a guitarrista Lívia vivia dizendo que Bacabi estava livre, leve e disponível – como conseqüência, cantadas eram gritadas e constantemente retrucadas pelas garotas com respostas ácidas como “Eu sou gay, não gosto de homens!”. Era bem engraçado. A banda se apresentou por exatos 45 minutos e sinceramente, ela poderia ter tocado por mais 40 minutos, já que o Puddle of Mudd entrou no palco com 40 minutos de atraso. A banda entrou no palco tocando a música ‘Control’. O que eu não entendi foi o medley para ‘War Pigs’ do Black Sabbath usado para estender a música em mais dez minutos. A voz de Wes Scantlin estava irreconhecível, que usava e abusava dos backing vocals dos novos integrantes de banda. O que mais me impressionou foi que Wes estava claramente alterado. Esquecia as letras de suas músicas mais famosas e enrolava fazendo pseudo- solos sem criatividade alguma. Percebia-se que com o tempo os próprios fãs tinham se cansado da apresentação horrível que a banda fazia. Ao invés de empolgar e remeter os fãs aos tempos áureos do grunge, o Puddle of Mudd deu um choque de realidade aos fãs. Mostrou que o grunge ficou para trás, morreu nos anos 90 junto com o Kurt Cobain. Mas quem achava que a estupidez do vocal tinha parado por aí, se enganava. Wes extrapolou pedindo cigarro para todo Mundo (inclusive fãs), sendo que fumar é proibido em ambientes fechados em São Paulo – sem contar que o guitarrista também bebia sem parar. Parecia que a banda estava num boteco de segunda . ao entonar o grande clássico da banda, ‘She Fucking Hates Me’, a banda não somente errou a música na cara dura, mas também ficou enrolando por mais 15 minutos para continuar o som. Eu neste momento desisti da apresentação – como muitos outros que foram pedir o dinheiro de volta na bilheteria da casa de shows. A banda, quando começou a levar copos, tênis e pontas de cigarro na cara desistiu e deixou o palco sem se despedir. Todas as milhões de juras de amor ao público brasileiro foram esquecidas em instantes. Foi um dos maiores fiascos de uma apresentação na história do HSBC Hall. Como disse anteriormente, o que era para ser um belo de um revival, demonstrou para todos naquela noite que o grunge morreu e levou o Puddle of Mudd com ele. [MF]

terça-feira, julho 03, 2012

Grave e Samael – Hangar 110
17.06.2012

A noite em que a música eletronica colidiu com o death metal em São Paulo!

Grave

Mais uma vez temos o Grave em São Paulo e vemos poucas pessoas prestigiando uma das poucas bandas de death metal que ainda propagam o lendário “Dödesmetal” da Suécia. A maioria que veio ao Hangar 110 nesta noite são fãs dos Suiços Samael, que vem ao Brasil pela primeira vez em 20 anos de história. O Grave, formado pelo fundador Ola Lindgren (vocal/guitarra), Mika Lagrén (guitarra), Ronnie Bergerstahl (bateria) e Tobias Cristiansson (baixo) trazem em sua bagagem um álbum a ser lançado este ano chamado “Endless Procession Of Souls” que deverá ser lançado ainda este ano e um novo integrante, Mika Lagrén nas guitarras – com a recente saída de Magnus Martinsson da banda. Conversando com a banda após o show, Ola me disse que Magnus saiu por que não conseguia mais ficar longe de sua família – caso recorrente no Mundo da música, onde os compromissos de divulgação e turnês ocupam uma boa parte do tempo de cada músico. O grave começou seu show com um pouco de atraso, mas começam muito bem com ‘Turning Black’ do álbum “Soulless” de 1994. Uma pancada digna de acordar até o mais sonolento headbanger que ali estava. Percebe-se logo que Mika tem uma técnica um pouco diferente de dedilhado que Magnus, pois utiliza menos a palheta, dedilhando mais com os dedos mesmo. Emendada com a clássica “You’ll Never See” do álbum ‘You’ll Never See’ de 1992 o show estava praticamente fadado a ser uma bomba cheia de clássicos. A terceira música, ‘Now and Forever’, suponho que seja do álbum novo “Endless Procession Of Souls” e é praticamente um ode ao death metal. O som grave com os dedilhados de Ola Lindgren e o baixo acompanhando a velocidade de locomotiva da bateria. Empolgante! A banda volta ao ‘Soulless’ de 1994 com “Bullets Are Mine” mostrando toda a influência do death metal sueco da época emendando com ‘Morbid Way To Die’ da demo lançada há muito tempo. É raro a banda tocar músicas tão antigas em seu set – estas provávelmente tocadas no Brasil para os seus fãs mais ferrenhos. Com um riff incrível percebe-se a entrada da faixa ‘Rise’ do álbum “Back From The Grave” – um dos melhores álbuns da banda na minha humilde opinião. Fica evidente a influência de Entombed nos álbuns mais recentes da banda. Os suecos voltamo ao passado com a faixa “Deformed” e “Day of Mourning”, ambas do álbum ‘Into the Grave’ de 1991 – músicas sujas e intensas que não soaram muito legais nos amplificadores do Hangar. Foram as músicas mais difíceis de compreender do show. Interessante foi Ola anunciando “Black Dawn” do álbum ‘...And Here I Die... Satisfied’ do EP de 1993 – onde ele pede para que os fãs agitem mais. O Grave volta ao ‘Into the Grave’ de 1991 com “For Your God” e logo emendam com ‘Soulless’ do álbum auto-entitulado de 1994. A banda terminou o show com um revival do álbum ‘Into The Grave’ de 1991 com “Inhuman” e a que leva o nome do álbum terminando o show com grande estilo – praticamente um show apenas de clássicos dos anos 90 em menos de uma hora e meia de show.

Samael

Os fãs do Samael se questionavam o tempo todo se a banda realmente cometeria o pecado de vir pela primeira vez ao Brasil e não tocar nada do álbum que os consagrou como Ceremony of the Opposites, Worship Him e Blood Ritual. A informação era que eles tocariam duas a três músicas dos álbuns antigos – no máximo do Passage de 1996. Surpresa para os fãs que vieram prestigiar a banda. Após uma hora é a vez do enigmático e eletronico Samael mostrar a que veio. A banda suiça, formada por Michael “Vorphalack” Locker (vocais, guitarra), Xytras (bateria, teclado, samplers), Christophe “Masmiseim” Mermod (baixo) e Makro (guitarra) sobem ao palco com a introdução ‘Invictus’ do álbum novo “Lux Mundi”. Percebe-se logo de cara que Xytras possui não apenas seu moog e teclado, mas também uma espécie de bateria adaptada ao teclado. Eis que ali desvendava-se o enigma de como Xytras conseguia tocar a bateria e o teclado ao mesmo tempo e em pé. Vorph, vestido com uma espécie de bata chinesa e Makro com uma jaqueta meio industrial, já demonstrava que de black metal a banda nem visual mais tinha. A banda continuou no “Lux Mundi” com ‘Luxferre’ demonstrando que a banda voltou um pouco para aquele metal industrial que ajudaram a propagar nos anos 90 com o álbum Passage. Falando em Passage de 1996 eis que a banda toca Rain um dos grande clássicos da banda da fase atual. Claramente feliz em estar no Brasil, Vorph diversas vezes menciona como é importante estar naquele palco – para seus fãs e emenda o início de diversas surpresas para a noite. A primeira é o anúncio de ‘Baphomet’s Throne’, um grande clássico do álbum “Ceremony Of Opposites” de 1994 – levando o público ao delírio. Definitivamente fazia parte das exceções que a banda mencionou para a imprensa antes de vir ao nosso país. Logo depois a banda volta para “Lux Mundi” com ‘Of War’ que na opinião deste que vos escreve é a melhor músic a do álbum – com o teclado marcando o compasso, se transforma numa música viciante que gruda no seu ouvido e não sai mais. Os suiços continuam com “Slavocracy” do álbum “Solar Soul” de 2007 e emendam com ‘Reign Of Light’ – música do álbum auto-entitulado de 2004 que recebeu ótimas críticas por causa de sua ousadia eletrônica, deixando de lado qualquer lembrança de que a banda já esteve no mercado heavy metal. Mais uma surpresa. Vorph anuncia ‘Into the Pentagram’, música do primeiro EP da banda chamado “Medieval Prophecy” de 1988. A banda párecia curtir a reação do público e para não decepcionar mais duas músicas do “Ceremony of Opposites” de 1994 – ‘Flagellation’ e ‘Black Trip’ – os fãs estavam em outro Mundo e já cantavam com  banda. Carismático, Vorph aproveitava para cativar ainda mais os fãs e fazer com que os fãs das duas fases curtissem aquele momento juntos. Incrível sintonia! A banda volta para “Lux Mundi” com ‘Soul Invictus’ e logo voltam ao “Passage” com ‘Shining Kingdom’ – música que claramente empolga a todos na casa de shows. ‘In The Deep’ e ‘The Truth Is Marching On’ são mais duas do álbum novo – mostra que o experimentalismo da banda ainda não terminou, pois a banda se utiliza muito da bateria e da segunda guitarra para trazer mais peso á sua música – apesar do eletrônico que mal dava para ser ouvido através das caixas do Hangar, revoltando Xytras. A banda terminou seu set com ‘Infra Galaxia’ do álbum “Eternal” de 1999, revoltando os presentes. O público queria mais. A banda assustou pois hesitou em voltar, mas Makro volta junto com Xytras e começam ‘Ceremony of Opposites’ do álbum auto-entitulado, levando mais uma vez os fãs ao delírio. A banda definitvamente termina seu show com ‘Antigod’ do álbum novo e ‘My Saviour’ do álbum Passage com direito a corda do baixo de Mermod rompida e um público feliz – pois Samael não apenas satisfez o gosto dos que curtiam o som extremo da banda, como também os fãs novos que ali presente estavam. Um show histórico que para os fãs brasileiros significou o fim de uma Era, para o começo de outra. Apoteótico! [MF]
Atari Teenage Riot
Cine Jóia – 15.06.2012

ATR faz show marcante e mostra incapacidade de produtores de segurar a massa


Interessante como o tempo e formação não faz diferença para o Atari Teenage Riot. A banda, que volta ao mercado depois de uma década após a morte do membro fundador Carl Crack, (encontrado morto em seu apartamento em Berlin em Setembro de 2001) lançou no ano passado seu mais novo álbum “Is This Hyperreal?” e veio ao Brasil divulgar seus hinos de rebeldia e de liberdade através da voz do povo, com a ajuda do projeto Ativa Aí. Tão independente quanto a idéia musical do trio, o Ativa Aí resume praticamente a idéia de fazer uma espécie de bolão entre fãs, para trazer a banda preferida para o seu país. A banda hoje é formada mais por uma espécie de reboot do grupo ativista, formado por Alec Empire, Nic Endo e o novo recruta CX Kidtronik. O interessante do Atari Teenage Riot é que nos anos 90 eles já eram conhecidos sendo da Era do Cyber-Punk, onde a idéia e fascínio do grupo era usar a tecnologia para destruir o sistema – tornados mais em realidade em 2010. Durante a década que eles sumiram a Internet virou a ferramenta de liberdade com o networking social, roubo de identidade e problemas com o roubo de propriedade intelectual em seus “trending topics”. A realidade virtual da vida da Internet e seus pavores na “atual” realidade – e vice-versa – dá agora ao Atari Teenage Riot uma verdadeira guinada no conceito do grupo. Quando a banda sobe ao palco ás 22:30 aproximadamente, Alec Empire deixa um som ‘Activate!’ de abertura tocando antes do resto do grupo entrar e iniciar o armagedom organizacional do Cine Jóia.
A japonezinha Nic Endo pisa no palco com a sua pintura “resistência” em japonês no rosto e gritos de liberdade acompanhados por stage diving de Alec Empire acompanham o início do caos. Neste instante já não havia mais organização para fotógrafos, impossibilitados de tirarem fotos da banda por que os fãs já estavam no palco com bandeiras e máscaras de ninja. Quando a orgazniação decidiu chamar seguranças, já era tarde. Pelo menos 50 pessoas estavam naquele triângulo do Cine Jóia, sem mencionar a grande ciranda do mosh pit que havia formado em poucos minutos. A partir daquele momento a organização do show penou horrores. Mas o grupo se divertiu e interagiu com o público como este jornalista nunca havia visto até hoje. A banda continua com o holocausto musical mandando ‘The Only Slight Glimmer of Hope’; ‘Black Flags’ e ‘Shadow Identity’ sem intervalos – fazendo daqueles na pista Seres revolucionários de primeiríssima qualidade. Momentos tensos no entanto foram os que vieram a seguir com o domínio do palco do Cine Jóia pela segunda vez. Com direito a que da alto-falante e da produção inteira do show em cima do palco para conter os revolucionários, a banda mandou muito bem com ‘Into the Death’, ‘Too Dead for Me’ e o clássico ‘Atari Teenage Riot’ – não havia descanso vindo do público. O próximo a se aventurar no stage diving foi CX, se jogando em ‘Ghostchase’, onde seu microfone praticamente levou todos os amplificadores do palco junto para a pista e emendaram com ‘Re-Arrange Your Synapses’.
Alec Empire em dado momento pára a música e entoa em protesto sobre a crise financeira que abala a união européia onde a maioria do público gritava “Vai Curíntia” – claramente não entendendo a preocupação que a banda tem com o futuro das pessoas que moram na Europa. A banda seguiu com ‘Is This Hyperreal?’, ‘Codebreaker’, ‘Blood In My Eyes’, ‘Speed’ e ‘No Remorse’. Neste momento a maioria das pessoas achavam que o show havia terminado e mais protesto do público. Alec Empire volta e diz “Vocês já estão cansados? Toma isso!” iniciando com Start the Riot, levando mais uma vez a platéia a subir ao palco. Desta vez ela não desceu e ficou durante ‘Collapse of History’ e o clássico ’Revolution Action’ – entoado praticamente pelo Cine Jóia inteiro. Alec Empire ainda tentou algo cantando Kids Are United com o povo, mas se deu por vencido pela loucura que assombrava o palco. Atari Teenage Riot volta ao Brasil com um dos shows mais impressionantes que este que vos escreve já viu – incluindo sua grande interatividade com o público. O grupo, composto por apenas três integrantes é feito de liberdade, anarquia e movimento de massa. É de se pensar, se nós estamos preparados para eles. O Cine Jóia não estava. [MF]

segunda-feira, julho 02, 2007

16.06 // Via Funchal – São Paulo // MindFlow; Symphony X

Fico imaginando a sensação que o MindFlow teve ao subir no palco do Via Funchal. Havia lá um público ansioso em ver pela segunda vez uma das maiores bandas de metal progressivo que já surgiram neste planeta. O MindFlow no entanto esquece que é uma banda que não deve nada para os americanos e faz deste – mais intimista que o Live N Louder – um show fraco, pois mostra medo e insegurança no palco. Escolher uma música do Ozzy Osbourne como cover era algo que a banda não necessitava fazer – ‘Perry Mason’ não é necessariamente um ícone musical na carreira do ex-vocal do Black Sabbath. Tecnicamente o som estava alto pacas o que é muito bom, mas deixa-se de lado o feeling dos momentos mais silenciosos da música. Formada por Danilo Herbert (v.), Miguel Spada (k.), Rafael Pensado (d.), Ricardo Winandy (b.) e Rodrigo Hidalgo (g.) o MindFlow tocou as músicas mais interessantes de seus dois álbuns “Just the Two of Us... Me And Them” e “Mind Over Body” – álbum que a banda vem divulgando em seus shows. Era a vez do Symphony X se apresentar. Mais uma vez o som estava extremamente alto e somente dava a guitarra de Michael Romeo em cima do palco. A banda, que logo começou com ‘Of Sins And Shadows’ do álbum Divine Wings Of Tragedy obviamente já havia dominado o público já na primeira música. Os riffs fortes e altos incomodavam ás vezes por que a voz forte e única de Russel Allen ficava de fundo e não podia ser ouvida direito. O experiente vocalista no entanto se esforçou e muito para equilibrar os tons mais baixos de sua voz com os tons mais altos. A banda, formada por Russel Allen (v.), Michael Romeo (g.), Jason Rullo (d.), Michael Lepond (b.); Michael Pinnella (k.) vem ao Brasil também para divulgar seu novo álbum – Paradise Lost. Logo, a segunda música já era ‘Domination’ enaltecendo um pouco mais o lado sombrio que a banda vem tomando desde The Odyssey. A banda continuou com o seu set sombrio com ‘Inferno’ do álbum The Odyssey É sempre impressionante ouvir a música Inferno ao vivo. É um grandioso show de técnica e virtuosismo de Romeo e Lepond. O impacto da música é tão forte que cada um dentro da banda é indispensável. Isto se comprova cada vez mais a cada música que passa como, por exemplo, na fantástica ‘Evolution’ do álbum V – The New Mythology Suíte onde a banda faz com fidelidade a sobreposição de vozes que rendeu tantas comparações com Queen – continuando neste álbum a banda ainda emendou com a fantástica ‘Communion And The Oracle’. Brincando muito com o público o vocalista se demonstra, além de um ótimo vocalista, um frontman excepcional e único! Brincando muito com o público fez com que este se sentisse muito á vontade e também o grande carinho que a banda sente por ele. A sensacional ‘Smoke and Mirrors’ do álbum Twilight In Olympus mais uma vez faz um contraste entre técnica musical do rock progressivo e aquela influência forte de heavy metal tradicional. Mais uma vez a banda se surpreende que o público sabe de cor as letras desta música. As músicas que vieram logo em seguida ‘Set The World On Fire’ e ‘The Serpent’s Kiss’, ambas do álbum novo ainda inédito no Brasil, foram muito bem recebidas pelos fãs. Acredito que o peso sombrio colocado neste álbum deve ter sido algo muito natural para a banda. A banda ainda tocou ‘King Of Terrors’ do The Odyssey e ‘Sea Of Lies’ uma das mais pesadas músicas do álbum The Divine Wings Of Tragedy antes de deixar o palco. A surpresa, no entanto ainda estava por vir. O público pediu The Odyssey e a banda voltou e tocou uma das músicas mais longas de toda sua discografia. Um show de técnica, experiência e harmonias, estas enaltecidas pelo tecladista Michael Pinnela. Não posso deixar de citar a performance do baterista Jason Rullo, que com perfeição percorreu os quase 25 minutos de música. No final ficou aquela vontade de quero mais, afinal é surpreendente como os caras tocam. Russel Allen, no entanto para mim já é um dos melhores vocalistas há muito tempo, principalmente pelo alcance vocal que ele possui. O Symphony X nesta noite fez um show memorável, afinal estão no ápice de sua carreira. [MF]

segunda-feira, maio 07, 2007

28.04// Jethro Tull, Credicard Hall - São Paulo


São poucas as bandas de rock progressivas que são amadas no Brasil. Mas entre as mais amadas sem sombra de dúvida é o Jethro Tull. Conhecidos pelo estilo eclético, que incorpora elementos da música clássica e celta, assim como do rock alternativo e do art rock, e pelo trabalho único na flauta de Ian Anderson, Jethro Tull se apresentou no Brasil pela primeira vez em 1988. Com a formação atual, composta por Ian Anderson (vocal, flauta transversal), John O’Hara (piano e teclado), David Goodier (baixo acústico e elétrico), Doane Perry (bateria) e Martin Barre (guitarra) a banda se apresentou no Credicard Hall com muita classe, literalmente dito. Nada de músicas pesadas, nada de guitarras lá no alto. Um show praticamente acústico foi o que o público presenciou naquele sábado. O comunicado, alertando aos fãs para não fumarem e não conversarem obviamente não foi respeitado pela maioria, afinal de contas é a empolgação que conta e o público brasileiro tem disto em excesso. Tudo isto por que Ian Anderson está com um problema no ouvido – ele ouve zumbidos após 39 anos de longas turnês. A banda começou tocando a meio bluegrasss Someday The Sun Won’t Shine For You do primeiro álbum “This Was” e já na segunda música apresenta a convidada especial e violinista Ann Marie Calhoun que já tocou com bandas como Old School Freight Train, The Dave Matthews Band e atualmente está numa banda de fusion chamada Kantara. ‘Living In The Past’ ficou com mais magia com a participação da simpática japonesa. Ian Anderson introduziu ‘Pastime With Good Company’ dizendo que o Rei Henrique da Inglaterra até que compôs músicas boas nos momentos em que ele não estava cortando fora cabeças de jovens donzelas. Continuando com o set a banda tocou ‘Jack-In-The-Green’, ‘The Donkey And The Drum’ e a mais lnga do set inteiro, Thick As A Brick – obviamente bem mais curta que a versão do álbum, afinal ela tem meia hora de duração. A dedicatória de Ian Anderson ao compositor alemão Johann Sebastian Bach foi feita com a bela ‘Bourée’ que pode ser encontrada no segundo álbum da banda, o “Stand Up”. Após ‘Sweet Dream’ do álbum “Living In The Past” o grupo deu espaço para Ann Marie Calhoun mostrar todo seu talento. Tocando músicas de autoria dela como Bluegrass In The Backwoods e Runty – música que recebeu o nome do gato dela – ela demonstrou uma forte influência do bluegrass americano, estilo que fez com que grandes músicos do country americano se consagrasse como a banda Kingston Trio e os irlandeses do The Proclaimers. A banda voltou ao palco para tocar ‘Beside Myself’ para depois deixar o palco novamente para dar espaço ao instrumental de Michael Barre com ‘Steal’ – excelente por sinal. Com muito humor Ian Anderson apresenta ‘Aqualung’ como sendo ‘Highway Star’ do Deep Purple e acho que foi a que mais decepcionou o público, este que esperava a versão clássica do álbum “Aqualung”. A versão orquestrada, na minha opinião pelo menos, é muito mais completa e cheia detalhes que aquela do álbum. Ian Anderson apresentou América, música da famosa tragédia de amor americana West Side Story dizendo que o povo americano é um povo bom e dedicado e que o problema apenas é o presidente atual, George Bush. Continuaram tocando ‘My God’ do álbum “Aqualung” e a linda ‘Budapest’ do álbum mais diferente do Jethro Tull “Crest Of A Knave”. Após sair para uma água a banda volta para o Bis tocando a fantástica ‘Locomotive Breath’ do álbum “Aqualung” terminando o show com ‘Orange Blossom Special’. Um show calmo, mas maravilhoso por possuir tantos detalhes e tanto “feeling”. Muitos saíram reclamando por que não houve peso nem muitas guitarras distorcidas, mas a falta disto com certeza foi compensada com a aula de cultura e rock n roll dada por Ian Anderson e companhia. Fabuloso! [MF]